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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Opinião: Carnaval - a época perfeita para o assédio a céu aberto

Imagem: Divulgação
Por Iasmyn Gordiano
A violência contra a mulher na sociedade brasileira apresenta-se de diversas formas – desde o assédio sexual até o abuso psicológico e físico. No carnaval, a ideia de que mulheres estão ali para serem “paqueradas” e não apenas para se divertirem, como qualquer pessoa, é alimentada e muitas vezes incentivada pela própria mídia. Segundo pesquisa feita pelo Instituto Data Popular em janeiro, 49% dos homens entrevistados disseram que “mulher direita” não pula carnaval. Entre esses pesquisados, 61% acham que mulheres que vão para a festa não podem reclamar do assédio.

A cultura machista está inserida nas relações sociais, sendo reproduzidas e perpetuadas através de atitudes tidas como mínimas. Desde a infância, homens são ensinados a paquerar as colegas, incentivados a começar cedo as relações sexuais e a ter atitudes que reafirmem a sua masculinidade perante a sociedade. Em ambientes como o Carnaval, é comum ver mulheres sendo agarradas, assediadas ou constrangidas por um homem ou por seu grupo de amigos.

No facebook, mulheres relataram abusos sofridos durante a festa. Em Salvador, a nutricionista Ludmylla de Souza Valverde, 27 anos, foi agredida após negar um beijo a um folião. Ao acompanhar a irmã, Thaianna de Souza, na pipoca, dois homens se aproximaram e um dos rapazes assediou as mulheres. Ao tentar defender a irmã, após a mesma negar as investidas do homem, a nutricionista foi empurrada e agredida com um copo acrílico no rosto, pelo amigo do assediador. 
Imagem: Arquivo pessoal
A revista AzMinas iniciou uma campanha ensinando a diferenciar paquera de assédio, fazendo um guia básico para que homens e mulheres possam se conscientizar sobre o assunto. A campanha gerou alvoroço nas redes sociais, sendo compartilhada pelos perfis da Prefeitura de Salvador e do Rio de Janeiro. Ainda hoje, alguns homens ainda têm a infeliz imagem de que a mulher é sua propriedade e feita para realizar suas vontades. Mesmo com 2015 tendo sido o ano em que o feminismo tornou-se grande pauta nas mídias sociais, trazendo a tona assuntos como assédio e violência por gênero, muitos ainda têm certa relutância em abrir mão de seus privilégios e a passar a respeitar o espaço das mulheres.  

Casos como o de Ludmylla ainda são freqüentes em cenários de festa, provando que ainda é necessário o debate sobre o respeito ao corpo feminino e a sua autonomia.  Enquanto pensamentos machistas não forem desconstruídos dentro do espaço social, debates sobre o tema são cada vez mais necessários. As mulheres agradecem.
Iasmyn Gordiano, estudante de Jornalismo da UFRB.
*As opiniões emitidas em artigos assinados no site Diário da Notícia são de inteira e única responsabilidade dos seus autores.
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