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quarta-feira, 20 de abril de 2016

Opinião: Pecado da capital

Foto: Ilustrativa | Cawdialogos
Por Sérgio Marcone
Cusparada, torturador, filhos, esposas, Deus, mães e até corretores de seguros. O “sim” ao prosseguimento do impeachment da presidente Dilma Rousseff foi recheado de dedicatórias e de atos rocambolescos. Dias seguintes à sessão no Congresso Nacional, a imprensa e as redes sociais insistiam em dizer ser vergonhosa a performance de nossos deputados federais. Realmente. Esperávamos, digamos, um nível mais elevado para uma decisão tão impactante para toda uma nação. Mas acho muito perigoso tratar o Congresso em terceira pessoa. É sempre “eles são corruptos”, “cambada de ladrões” etc. Esquecemos que foram eleitos por nós e fazem jus a um preceito constitucional de “nos” representar.

Num país em que esquecemos rápido em quem votamos na última eleição, acompanhar como o “seu” deputado votou parece ser trabalho árduo. De qualquer forma, para o bem ou para o mal, sobra o resultado da votação: a maioria do Congresso votou pela continuação do processo de impeachment.

Diante de todas aquelas falas para justificar seus votos, uma chamou-me a atenção: a do deputado Irmão Lázaro (PSC-BA). Ao falar em soberba, ele entabulou de uma só tacada um pecado capital e o pecado da capital. “A soberba precede a ruína”, disse o deputado citando um Provérbio.

Há no histórico do Planalto uma sucessão de exemplos, tirados de testemunhas oculares, de que a presidente Dilma não é afeita a mudar seu ponto de vista e que não é muito de “conversar” com congressistas. Suas relações institucionais sempre foram tensas, muito diferentes do estilo bom-de-papo do ex-presidente Lula. A um ministro já dissera “que quando o senhor tiver 54 milhões de votos, o senhor pode opinar”, diante de uma posição contrária à sua. E na carta em que o vice –presidente Michel Temer lhe enviou em 7 de dezembro do ano passado , ele se queixou de que “os acordos assumidos no Parlamento não foram cumpridos”. Ou seja, há uma espécie de “eu futebol clube” da presidente, o que é sabido como fatal no lamacento jogo da política.

Pela pouca citação ao verdadeiro motivo do pedido de impeachment – o descumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal, mais precisamente pelas “pedaladas fiscais” – ficou nítido ser o distanciamento da presidente com os congressistas o maior motivo para um possível afastamento do cargo. Claro que a crise econômica,  o desemprego e a corrupção também entraram nas falas, mas estes fatores funcionaram como um pano de fundo, a cereja para quem deu um bolo.

A permanência de Dilma no cargo ficaria à mercê da expiação de sua soberba em nome da governabilidade. Palavrinha que quer dizer muita coisa no jargão político brasileiro e que, não raro, se transforma em toma-lá-da-cá.

Mas essa é uma outra história...

Sergio Marcone é formado em Letras Vernáculas pela UEFS e pós graduando em Comunicação em Mídias Digitais pela Unifacs

*As opiniões emitidas em artigos assinados no site Diário da Notícia são de inteira e única responsabilidade dos seus autores.
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