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quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Governo sinaliza modificação no Enem para os próximos anos; veja mudanças

Imagem: Divulgação
Desde a semana passada, o anúncio de que o ensino médio vai mudar, feito pelo governo federal, tem deixado os estudantes com muitas incertezas  — e não só de quem está em alguma das três séries do ciclo.  Mais do que a polêmica mudança nos conteúdos, a reforma significa novidades na prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

Segundo o Ministério da Educação (MEC), a edição deste ano, que acontece nos dias 5 e 6 de novembro, não sofrerá nenhuma alteração. Mas, após o período de adaptação, que inclui 2017, a edição do Enem de 2018 já deve ser um pouco diferente. O MEC ainda estuda as possibilidades e, de acordo com a secretária-executiva da pasta, Maria Helena Guimarães Castro, uma delas é de que exista uma prova nacional seguida de outra avaliação “de aprofundamento” na área do curso escolhido.

Essa prova — que, de certa forma, lembra a antiga ‘segunda fase’ de vestibulares como o da Universidade Federal da Bahia (Ufba) — poderia ser feita tanto a nível nacional quanto pela faculdade pretendida pelo aluno. Outra opção, ainda segundo ela, é de que a prova fique mais exigente — e parecida com o vestibular da Fuvest, que seleciona os estudantes para a Universidade de São Paulo (USP).

“Estou falando em uma hipótese: podemos ter um Enem nacional que avalia o que for aprovado no próximo ano na Base Nacional Comum (BNCC) e podemos ter avaliações nacionais ou então das próprias universidades daquilo que é área de aprofundamento”, afirmou ela ao portal G1. “Então, por exemplo, para entrar no curso de Medicina, posso ter uma prova nacional só na área de aprofundamento de ciências da saúde, depois de ter feito a prova da base nacional comum obrigatória para todos. Daí, tenho uma prova na área de aprofundamento até muito mais exigente do que o atual Enem, como é, por exemplo, o vestibular da USP hoje”, completou.

Para o superintendente de Educação Básica da Secretaria da Educação do Estado (SEC), Ney Campello, não há dúvida de que o Enem precisa mudar. “O que sustentava esse modelo é que a aplicação era única. O sistema raciocinava que era possível fazer um único Enem. Se mudou o modelo, o governo federal terá que mudar o Enem e a prova terá que lidar com as diferenças regionais”, disse.

Mais estudos

Entre os estudantes, a notícia casou um rebuliço — até porque ninguém sabe, ao certo, como as coisas serão. Aluna do 2º ano do Colégio Bernoulli, Laisa Paiva, 17 anos, está preocupada com o quanto será afetada pelas novidades, já que está no meio do ciclo do ensino médio. “Se as universidades públicas voltarem com as questões de provas abertas, por exemplo, como uma segunda fase, vai implicar em bastante dificuldade, porque, caso essa segunda fase seja em outro estado, até passagem vamos ter que comprar”, ponderou.

As ‘segundas fases’ dos processos seletivos para a universidade eram bem comuns antes da maioria das instituições adotar o Sistema Único de Seleção Unificada (Sisu). A Ufba, inclusive, manteve o Enem como primeira fase e fazia uma segunda etapa própria até 2013. “Isso me preocupa muito, porque uma prova dessas é muito diferente do Enem. Tem conteúdos específicos, obras para ler... Como quero fazer Medicina, o desespero duplica”.

Já no 3º ano do Colégio Vitória-Régia, o estudante Pedro Leal está um pouco mais tranquilo — mas só porque está confiante o suficiente para ter quase certeza que a aprovação em Geofísica virá já este ano. “Me preparei bastante e acho que passo logo, mas fiquei preocupado, porque essa reforma tem coisas boas, mas tem muitas coisas ruins. A coisa de escolher a grade curricular é algo muito bom, mas acho que os estudantes brasileiros não têm maturidade para isso”, opinou.

Para ele, reduzir a carga horária – ou eliminar – de disciplinas como Sociologia, Filosofia e Educação Física é uma decisão problemática. “Se for assim, a gente vai virar massa de manobra, uma pessoa que não tem senso crítico. Mas acho que mudanças no Enem são válidas, só que existem diferenças na capacitação. Se querem uma prova mais difícil, tem que preparar o aluno para isso ou vai ser mais um meio de segregar ricos de pobres”, observou.

Estudante do 1º ano no Colégio Estadual Senhor do Bonfim, Helen Cristina, 18, diz não estar apreensiva. “Acharia bom dividir mesmo em duas fases, porque são muitos assuntos. E a gente tem obrigação de estudar mesmo, porque eles querem ver o conhecimento do ano todo”.

Escolas ainda não planejam mudanças; alunos estão ansiosos

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Diante das dúvidas em torno da reforma no ensino médio — na quinta-feira, o governo anunciou que algumas matérias seriam excluídas, mas depois voltou atrás —, professores e coordenadores pedagógicos acreditam que, por enquanto, ainda não devem mexer em seus planos de aula. “Os meninos ficaram bem ansiosos e os pais, principalmente do 1º ano, estão em polvorosa. Nos intervalos, não se fala em outra coisa, mas a gente só vai fazer mudanças significativas quando tiver as diretrizes”, garantiu a coordenadora do 9º ao 3º ano do Villa Campus de Educação, Cristina Cardoso.

Para o coordenador do ensino médio do Colégio Antônio Vieira, Zelão Teixeira, que é doutor em Educação na linha de currículo e cultura, é até irresponsável pensar em movimentos feitos pela escola, a essa altura. “Qualquer iniciativa no momento de escola dizer o que vai fazer é perturbadora. Não dá para definir enquanto o governo não mostrar o que é que vai ser feito. A gente precisa seguir atento ao que está sendo colocado, cobrar, acompanhar. As escolas precisam se organizar para discutir e se posicionar em relação a essas mudanças extremamente necessárias, mas não da forma como estão sendo colocadas”, opinou.

Já o diretor-executivo pedagógico do Grupo Bernoulli, Marcos Raggazzi, destacou que as escolas não têm condições de se adaptar a todas as mudanças propostas já em 2017. “Estamos na última semana de setembro. Como fazer mudanças tão profundas em 2017? Mudanças baseadas em uma base curricular que nem existe ainda? Se reformula o ensino médio e continua o Enem como hoje, o aluno não poderia fazer prova de todas as áreas do conhecimento, porque optaria por estudar Ciências da Natureza, por exemplo. Teria que ter um curso extra para as outras matérias”, concluiu.

Temendo precarização de licenciaturas, Ufba promoverá debate sobre reforma

As mudanças no ensino médio têm reflexos no ensino superior, e não apenas no que diz respeito à seleção dos alunos que chegam à universidade. Segundo o pró-reitor de Ensino de Graduação da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Penildon Silva Filho, a reforma afeta também os cursos de licenciatura, que são todos oferecidos pela instituição.

“Os professores do ensino médio são formados na universidade”, destacou. As licenciaturas, diferentemente dos bacharelados, são cursos que preparam o estudante para dar aulas, com disciplinas específicas também para desenvolver essa habilidade. Assim, de acordo com o pró-reitor, a Ufba é contra o chamado “reconhecimento dos saberes”, uma das novidades da Medida Provisória 746/2016, que prevê a reforma do ensino médio.

“Somos contra usar pessoas que não são formadas na área, contratando o profissional e fazendo uma certificação. É o caso de alguém que é formado em Engenharia e dar aula em Matemática ou Física. Mas, para ser um bom professor, também tem que ter a didática, a prática do ensino. E isso, só os cursos de licenciatura podem garantir”. Para o pró-reitor, isso leva à precarização do ensino nas salas de aula do ensino médio e, como consequência, à precarização também dos cursos na universidade.

Para debater o assunto com a sociedade, a instituição promoverá um debate, nos dias 19 e 20 de outubro, na Faculdade de Arquitetura. A programação deve ser divulgada nas próximas semanas. Além da Ufba, a Secretaria da Educação (SEC) também já informou que organizará mesas técnicas para debater as mudanças. Serão três, de outubro a dezembro. A primeira, prevista para 24 de outubro, deve acontecer na sede do órgão, no CAB.

Fonte: Correio
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