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quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Opinião: A tendência das rebeliões é ir para as ruas

Foto: Reprodução | Jornal NH
Por Sergio Marcone Santos
Os versos de nosso hino, “deitado eternamente em berço esplêndido”, é uma premonição das mais funestas. Eles nos legaram um modo de viver e agir: para os problemas de toda ordem, nos recolhemos durante décadas, séculos até, na esperança de que algum evento, talvez, trazido pelo vento ou que esteja no fim do arco-íris, possa-os resolver.

Desde Tomé de Souza (1503-1579) temos problemas em nossas prisões. Com o narcotráfico, a detenção de bandidos não é bastante para que seu poderio, com suas leis próprias, cesse. Mas todos os brasileiros sabíamos o tempo inteiro de tudo isso!!! Não há novidade alguma em nada do que está acontecendo. O que se especula são os motivos dessas alterações na geopolítica das facções Comando Vermelho, Família do Norte e Primeiro Comando da Capital (há outras, inclusive internacionais). O que se sabe até agora é que há uma nova composição no tráfico, que envolve a droga produzida no Peru e também o espaço deixado pelas Farc depois do acordo de paz com o governo colombiano.

Para muitos, é alívio saber que bandidos estão se matando nos presídios, afinal, a briga é entre gente da pior espécie. Do ex-Secretário da Juventude de Temer a radialistas daqui de Pindorama, há uma euforia eivada hipocritamente de horror ante cabeças decepadas e corações extirpados.

Esses discursos se manterão quando as rebeliões tomarem as ruas? Alguém tem dúvida de que, caso não seja debelada a crise, ônibus, delegacias, assembleias legislativas (é só lembrarmos da história de Pablo Escobar) etc., serão incendiados? O governo federal sabe disso, e a aposta é colocar o Exército para fazer revistas em celas no afã de desmontar os “aparelhos” ali instalados. Michel Temer, professor de renome de Direito Constitucional, sabe desse passo ousado: há um questionamento quanto à inconstitucionalidade da medida, baseado no fato de desvio de finalidade das Forças Armadas. Mas há o mais importante, a meu ver pensado pelo governo, que seria o “símbolo” de tê-las de volta a um campo de atuação estranho ao seu. Para além da disposição para o combate, embora soldados não sejam treinados para isso, há o aviso explícito de que em caso de aprofundamento das rebeliões envolvendo ruas e instituições, outras medidas de ordem, mais amargas, terão de ser e serão tomadas. Caso não sejam, ficaremos deitados eternamente em inferno esplêndido.

Institucionalmente, a solução resvala no fato de que as organizações criminosas não só penetram em diversos estratos da sociedade, como também possuem poder bélico de alto calibre. Ademais, quantas cadeias forem construídas não serão suficientes para inibir o poder que as falanges possuem. Elas estão em todos os lugares. Cobrem espaços nos quais os governos não chegam; organizam a seu modo a forma de viver de comunidades inteiras; patrocinam isso e aquilo, inclusive, possivelmente, campanhas eleitorais, além de seus produtos terem uma clientela fiel e crescente. A guerra é de um Estado contra outro Estado, sendo que a “Constituição” do segundo, o paralelo, possui uma quantidade de páginas em branco a serem preenchidas na proporção que mais mortes bárbaras e/ou atos de terror sejam ordenados.

Estou começando a ter medo das premonições de nosso hino. Em outro verso, ele diz: “em teu seio, ó liberdade, desafia o nosso peito a própria morte!”.

Socorro!!!!

Sergio Marcone Santos é formado em Letras Vernáculas pela UEFS e pós graduando em Comunicação em Mídias Digitais pela Unifacs

*As opiniões emitidas em artigos assinados no site Diário da Notícia são de inteira e única responsabilidade dos seus autores.
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