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terça-feira, 3 de março de 2015

UFRB: Estudante permanece em greve de fome


Foto: Divulgação
O estudante universitário, da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), Helder Santos Souza, enviou a redação do Diário da Notícia uma carta denúncia que relata os motivos que  levaram ele a deflagrar uma greve de fome.



Veja abaixo a carta enviada pelo estudante:

VOCÊ TEM FOME DE QUÊ?

Desde o dia 25/02/2015 o estudante universitário Helder Santos Souza permanece em uma greve de fome em resistência ao cerceamento do seu direito à permanência estudantil, por parte da UFRB. Regularmente inscrito e credenciado nos programas de auxílio estudantil, Helder Souza ainda não obteve seu benefício, o que já lhe custa dois meses de extremas dificuldades, comprometendo seu direito básico à educação que lhe é assegurado pela constituição brasileira (art. 6, Constituição Federal), mas que vem sendo negado pela referida política de austeridade social exercida pela UFRB. A situação do estudante ainda se agrava mediante ao silenciamento e descaso por parte da Pro-Reitoria de Políticas Estudantis da UFRB.
Tal fato não deve ser concebido como um ato isolado. Pois, a referida prática de negação da permanência estudantil e o não cumprimento de ações afirmativas estão circunscritas em um contexto político complexo e estruturado sobre duas questões: o RACISMO INSTITUCIONAL e o CARÁTER CLASSISTA das Universidades Públicas do Brasil. O racismo institucional se revela de maneira nítida à medida que a UFRB ataca um programa básico de auxílio estudantil, que por direito conquistado deveria ser assegurado às minorias étnicas (negr@s/indígenas) que compõem a universidade. Todavia, a partir de uma prática racista institucionalizada, a Pro-Reitoria de Políticas Estudantis da UFRB oprime um significativo grupo de estudantes negros e negras, incluindo Helder Souza, desassistindo-os de seus direitos. Tal opressão ainda apresenta o seguinte caráter classista presente na estrutura política da universidade: além de expropriar uma conquista estudantil aos negros e negras, tal ação contribui para segregar as camadas populares, filhos e filhas da classe trabalhadora, quanto ao seu direito de permanecer na universidade pública.
Infelizmente, o racismo que colonizou/coloniza as minorias étnicas desse país continua em voga e de maneira transparente na política institucional da UFRB referente ao povo pret@ e indígena. Em tal política, o discurso institucional se contradiz na sua prática, uma vez que a realidade social desses estudantes são caracterizados pelo não cumprimento dos seus respectivos benefícios. Ademais, tal ação se constitui como uma afronta ao caráter “público” da Universidade, fazendo parte de um conjunto de políticas opressoras que visam a segregação/exclusão da classe trabalhadora, reafirmando uma concepção de “Universidade” cada vez mais burguesa, elitista e reacionária.
A partir de uma leitura histórica acerca do ensino superior no Brasil, testificamos que as políticas públicas de auxílio estudantil se constituíram enquanto uma conquista histórica do movimento estudantil e da classe trabalhadora, na luta por uma educação pública, gratuita e de qualidade. Concomitantemente, as ações afirmativas reivindicadas nas universidades se traduzem em uma significativa resistência negra/indígena em prol de seu direito de acesso e permanência estudantil. 

Portanto, NÃO ACEITAREMOS NENHUM ATAQUE A TAIS CONQUISTAS!
Denunciamos a Pro-Reitoria de Políticas Estudantis da UFRB pelo racismo institucionalizado e o seu caráter burguês, mediante ao não cumprimento do auxílio estudantil ao estudante Helder Souza e outros estudantes negr@s da classe trabalhadora.

NENHUM DIREITO A MENOS!
POR UMA UNIVERSIDADE PÚBLICA, COLETIVA E POPULAR
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