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sábado, 28 de novembro de 2015

Fogo na Chapada Diamantina já compromete vazão dos rios

Foto: A Tarde
A região que abriga 80% das nascentes que abastecem o estado da Bahia, incluindo a capital, acaba de sofrer danos em áreas estratégicas para a manutenção da qualidade e da quantidade das águas, segundo especialistas

Há mais de 20 dias, incêndios atingem o Parque Nacional da Chapada Diamantina (PNCD) e seu entorno, no interior da Bahia. Segundo a equipe técnica da BRAL (Brigada de Resgate Ambiental de Lençóis), mais de nove mil hectares já foram atingidos apenas dentro dos limites da unidade de conservação. Mesmo antes do fim desses eventos, já é possível observar alguns prejuízos graves ao meio ambiente e às vidas das comunidades ao redor.

A preocupação é justificada pela importância da biodiversidade e dos recursos hídricos da região da Chapada Diamantina, não apenas em âmbito estadual, mas, também, nacional. Ela abarca as nascentes dos rios Paraguaçu, de Contas, Paramirim, Salitre e Jacaré e alguns tributários do Rio São Francisco, um dos mais importantes do país. O que significa nascentes que totalizam 80% de toda a água do Estado da Bahia. O abastecimento de Salvador depende dessas águas.

Além da perda da fauna e da flora, o fogo também atinge o solo, elemento que influencia diretamente a qualidade dos recursos hídricos. “Durante o combate, observamos que muitas turfas estão sendo queimadas, um tipo de solo orgânico formado em valas. Elas funcionam como esponjas, liberando a água gradualmente, impedindo que os rios fiquem secos no período de estiagem e que transbordem durante as chuvas. Porém, estamos perdendo isso”, afirma o engenheiro florestal e representante da BRAL, Diego Serrano. “Por isso, mesmo sem cálculos precisos, já podemos dizer que os incêndios irão impactar na vazão dos rios”, ressalta.

“Centenas de nascentes de água potável também foram queimadas e muita mata ciliar se perdeu. A quantidade de água que evaporou durante o incêndio é incalculável”, acrescenta o engenheiro ambiental e membro da equipe técnica da BRAL, Rodrigo Valle. As áreas com vegetação têm capacidade muito superior na produção de água, ou seja, na captação, no armazenamento e na distribuição, enquanto nas áreas queimadas, a água escoa rapidamente. Alguns dias após a chuva, os rios e nascentes já estão secos, pois a bacia não tem mais capacidade para retenção.

Somado a isso, os solos queimados ficam desprotegidos e são arrastados pela enxurrada para os rios, assoreando-os, afetando, inclusive, a qualidade da água. “As primeiras chuvas irão levar as cinzas para a calha dos rios, e nelas estão contidos nutrientes, como fósforo e potássio, que contribuem para a proliferação de algas e bactérias, comprometendo o seu consumo”, destaca Serrano.

Fonte: BRLA
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