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quinta-feira, 10 de maio de 2018

Opinião: 'Não me considero herdeiro político de Lula, ele está vivo, só se é herdeiro de morto,' diz Boulos

Foto: Reprodução | Roda Viva
*Por Sérgio Jones
Quando se discursa imbuído de sentimento sem se utilizar a verborragia e dos artifícios demagógicos as palavras fluem fáceis e verdadeiras. Assim aconteceu com o pré-candidato à presidente Guilherme Boulos (PSOL) durante entrevista concedida a TV Cultura no programa Rodada Viva, nesta segunda-feira (07). Ele deu um banho de inteligência e conhecimento.

As caquéticas, com raras e honrosas exceções, e bizarras figuras como Rubens Figueiredo, cientista político tucano da estirpe de Marco Antônio Villa, e um tal Fabio Wajngarten, empresário de mídia que ajudou a organizar reuniões de Bolsonaro com a comunidade judaica. Foram literalmente atropeladas pela fluência com que o Boulos discorreu sobre as mazelas sociais que através dos séculos tanto mal têm causado a nação e ao povo brasileiro.

Com uma habilidade impressionante, ele conseguiu contornar as armadilhas articuladas pelos príncipes das trevas que formavam a bancada do conservadorismo e do atraso. Boulos conseguiu, como nenhum outro, até o presente momento, dar o seu recado. Deixou transparecer com muita clarividência e agilidade mental que os governos existem para os cidadãos, logo devem ser competentes e honestos. Este tem que garantir segurança e estabilidade para o povo livre. E o cidadão deve acompanhar os atos do governo e tem o direito, quando lesado, de tomar atitudes, inclusive pela força, para modificar os rumos da administração. Quando este deixa de reclamar os seus direitos, ele está deixando escravizar-se.

Dentre as inúmeras argumentações proferidas por ele, merece destaques tipo: ”se queremos moralizar o país vamos começar moralizando o judiciário, que tem auxílio moradia, auxilio viagem, auxílio bolo, auxílio de tudo; A nossa primeira medida no dia 1º de janeiro de 2019 será um plebiscito para ver se o povo brasileiro quer manter ou revogar as medidas de Temer; não me incomoda ser chamado de herdeiro do Lula porque acontece na medida em que Lula construiu sua história vindo de baixo. Mas acho que herdeiro só se fala de morto. Lula está vivo e é candidato à Presidência da República”.

Dando prosseguimento a sua brilhante participação observou ele, ao ser indagado sobre a sua aproximação política com PSOL disse não ser de hoje. E adiantou ter votado na Heloísa Helena em 2006, no Plínio em 2010 e na Luciana Genro em 2014. Apontou fatos verdadeiramente aberrantes praticados nesta república do faz de conta ao citar que qualquer um cidadão paga IPVA. Já o helicóptero do empresário e senador Zezé Perrella (PMDB) que foi pego com mais de 400 kg de cocaína não pagou imposto. O jatinho do Luciano Huck que foi financiado pelo BNDES não pagou um real de imposto.

Lembrou que o nó do Brasil não será desatado enquanto permanecer a desigualdade brutal existente entre o povo brasileiro, onde os iguais são tratados de forma desiguais. No final, ainda homenageou o Doutor Sócrates e citou trecho da música de Raul: sonho que se sonha junto é realidade. Deixando implícito um aviso para quem pensa na chapa Lula / Boulos. Nunca é demais nos lembrarmos que a gasta e bolorenta elite brasileira flexiona o verbo reprimir em todos os sentidos, tempos e conjugações. O povo pode trocar de governo, mas o governo jamais poderá trocar de povo.

*Sérgio Jones, jornalista (sergiojones@live.com)
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