Diário da Notícia | Recôncavo Baiano - Rubem Júnior

Fotos: Divulgação

Evento vem para quebrar preconceito e desmistificar a crenças sobre as mulheres gordas

Sarada, pele bronzeada, marca de biquíni, seios firmes e redondos, bumbum volumoso e empinado, pernas torneadas... Bom, essas são apenas algumas das características da “mulher perfeita", segundo a sociedade atual. Os padrões de beleza tem se tornado cada vez mais exigentes e, de certa forma, hipócritas. Toda mulher é perfeita até mesmo nas suas imperfeições, e, com seu corpo de curvas únicas, se torna uma obra de arte impar, e é aqui que quero chegar.

Ainda não tem data definida, mas a exposição de arte “Gorbeleza”, vem para mostrar a maravilha das mulheres plus size/gordas através da pintura corporal. 

“O movimento Vai Ter Gorda surgiu em 2016 com a ideia de quebrar padrões, de que não existe a mulher perfeita, o corpo perfeito. Isso é só um paradigma da sociedade. Foi aí que, nós marcamos um encontro no Porto da Barra, e lá, fizemos uma foto com cerca de quinze a vinte mulheres com cartazes, frases e posicionamentos dizendo não ao preconceito, a gordofobia. A mulher, independente de ser magra ou gorda, deve ser valorizada sim! 

Deixo claro também, que não fazemos apologia a obesidade, e sim, ao bem estar, bem consigo mesmo, a pessoa gorda saudável. Existem pessoas magras que são doentes. Digo que fazemos apologia ao amor próprio.

É possível sim, uma pessoa gorda ser saudável, cuidando da sua autoestima, sua saúde e bem estar.

Tudo isso é feito para que a gorda e o gordo, se sintam bem, não se achem feios, não se achem deselegantes. Eles são como qualquer pessoa. O intuito é fazer com que eles saiam do “armário”, elevem sua autoestima e digam: Tenho orgulho de ser quem sou e como sou.”

Essas são as palavras de Paulo Arcanjo, um dos fundadores do movimento, que é liderado pela ativista, conselheira estadual dos direitos da mulher, modelo e Miss Plus Size 2011-2013, Adriana Santos.

“O ensaio corporal artístico representa para mim e para as mulheres envolvidas no projeto, uma libertação de paradigmas ao corpo da mulher gorda. Uma ruptura com o padrão de beleza que sempre foi idealizado pela estética.

Pra mim, enquanto modelo, ativista e fundadora do Movimento Vai Ter Gorda, é sempre uma honra participar de projetos que valorizem o corpo da mulher gorda, pois precisamos quebrar os padrões de beleza e os preconceitos que passamos diariamente. E a arte é um ambiente de transformação das formas e das cores e traz a reflexão para toda a sociedade sobre a diversidade e a pluralidade”, disse a Adriana em entrevista.

Estão envolvidos também nesse evento, as modelos e também ativistas Gilselene Araújo e Juliana Lago. O ensaio fotográfico fica por conta da fotógrafa Gabriela Dinigre, e a pintura corporal, com o artista plástico Valdir Santos. Este último, também nos deu um pequeno depoimento sobre a experiência que, segundo ele, foi incrível: “Eu fiquei muito feliz e realizado. Trabalho com pintura artística, facial e corporal. Resolvi fazer um trabalho diferente com a corporal, decidi trabalhar com as meninas Plus Size. Muitas meninas vinham até mim dizendo estar insatisfeitas com seu corpo mesmo sendo o seu corpo padrão da sociedade, mesmo estando de acordo com a exigência humana. Elas diziam que estava barrigudas, estavam estranhas. Isso me incomodou. Resolvi então, fazer esse trabalho com as Plus Size e olha... Foi algo maravilhoso e tremendo. Tive o prazer de conhecer a Adriana, fundadora do Movimento Vai Ter Gorda, e que trabalho belíssimo nos fizemos. Não posso dizer que foi o maior trabalho que já fiz, mas com certeza, é de maior significado pra mim. Gostei tanto de trabalhar com essas meninas, que já estou pensando em trabalharmos juntos de novo.”

A exposição vem pra mostrar a riqueza, beleza, o glamour que há no corpo de toda gorda. Não há mais, nem menos. Há o que há e na medida certa.

#vaitergorda

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