Diário da Notícia | Recôncavo Baiano - Rubem Júnior

Rogério Magalhães | Foto: Reprodução | Instagram
Após a confirmação da morte por AVC (Acidente Vascular Cerebral) do radialista Rogério Magalhães, vítima da Covid-19, a Fundação Santo Antônio, através do superintendente, o professor Dr. Frei José Jorge Rocha, emitiu uma nota rebatendo a "precipitação" de uma notícia na qual trouxe a informação que o radialista era suspeito de ter abusado sexualmente de uma enteada e uma filha há 30 anos.

O Sindicato dos Jornalistas da Bahia (Sinjorba) também emitiu uma nota defendendo a jornalista que fez a matéria.

Leia o texto do frei Jorge Rocha:

ÉRIS: A NOTÍCIA QUE MATA

São conhecidos os ditos jornalistas que querem aparecer mais que a notícia. O que querem, na verdade, é alimentar a voracidade de leitores ávidos por sangue, mesmo que seja o sangue humano. São nutridos pela miséria alheia, por um passo de infortúnio que alguém tenha dado no passado, mesmo que tenha sido há 30 anos. Imediatamente, tais fatos, como por encanto de um F5, são atualizados como se tivessem acontecidos no dia de ontem.

São os partidários da deusa Éris que, na mitologia grega, era a deusa da discórdia. Filha dos reis do Olimpo Zeus e Hera. Éris é aquilo que são chamados pelos gregos de Daemones, ou seja, as "desgraças" para os romanos. Tomados pela inveja e pela incapacidade de crescimento, aos ditos jornalistas, só lhes resta destruir e separar, sobretudo, porque lhes faltam beleza e elegância, em sentido pleno, como faltavam à deusa Éris.

A deusa Éris está viva na “pessoa” de blogs que reverbera a desgraça alheia, ainda mais, quando a pessoa acusada, se encontra num leito de UTI, à beira da morte, sem o direito ao contraditório, sem o exercício da ampla defesa, mas com a pena máxima decretada pelos juízes plantonistas das redes sociais, sob a toga da deusa Éris. Ainda bem que tais blogs têm credibilidade duvidosa e âncoras de baixa escolaridade, exceto a sucursal da vênus platinada. Nossa reverência ao G1 Bahia!

A teia de envolvimento é tão ardilosa e catastrófica que não pode separar instituição e pessoa, classe trabalhista e indivíduo. A deusa Éris quer é “bagaceira”, quanto mais arrastar para o precipício será melhor, pois, assim, a desgraça é inteira. Eis o seu alimento, coisa de abutres, sem o qual morre de inanição por aquilo que os psiquiatras poderiam nominar como a “síndrome da notícia ruim".

Estes são os profetas e profetizas da desgraça, travestidos de jornalistas que não têm compromisso com a verdade (aletheia), mas com o furor sensacionalista. Que a verdade, a seu tempo, apareça e restabeleça as relações e faça a devida justiça, inclusive para queles que brincaram com ela. O bom jornalismo, sem minimizar a dureza da vida e dos fatos, não é aquele que pratica a servidão à deusa Éris, nem tampouco é aquele em que o jornalista aparece mais que a notícia.

O bom jornalismo é um servidor de “Aletheia”, pois sem apuração da verdade, o jornalismo “é uma fofoca organizada”. O bom jornalismo é aquele capaz de dar boas notícias, de ativar a esperança. É aquele que se propõe a prestar um serviço à humanidade, sendo capaz de retecer relações espedaçadas, mediante o bom senso da notícia. Rogério, espero e desejo que os seus algozes não sejam julgados por blogueiros abutres, com sentença de morte, através das mídias digitais, mas que sejam contemplados pelo Tribunal Divino, onde reina a misericórdia e a Verdade é transparente e imperativa. Lá, ninguém se esconde, pois é impossível condenar um inocente ou absolver um culpado. Lá, a deusa Éris não reina com discórdia nem mentiras, pois como disse o grande pensador grego Epiteto: “a verdade vence por si mesma, mas a mentira precisa de cúmplices”.

Prof. Dr. José Jorge Rocha

Leia a seguir a nota de apoio do Sinjorba a jornalista que assinou a matéria, Dandara Barreto:

No momento em que se comemora o Dia da Imprensa, o Sindicato dos Jornalistas da Bahia (Sinjorba) manifesta apoio à jornalista Dandara Barreto que, no dia 20 de maio, publicou uma matéria em sites e redes sociais, denunciando o crime de pedofilia e o silêncio imposto às vítimas desse crime, como uma segunda violência.

Resultado de um cuidadoso processo de apuração, a reportagem encontrou o gancho ideal, uma vez que, 18 de maio é Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual Infantil e, como Dandara registra em seu texto, “Feira de Santana registrou, no ano passado, 102 casos de abusos sexuais contra crianças. De janeiro até abril deste ano, foram 25 casos, de acordo com dados dos conselhos tutelares do município”.

O trabalho da colega, no entanto, foi alvo de ataques por parte do Frei Jorge Rocha, que tentou atingir a reputação de jornalistas no exercício profissional e no dever ético de informar e alertar a sociedade. Surpreendentemente, as verdades expostas parecem que desagradaram os pruridos do religioso, que se colocou como juiz de uma questão, à princípio, alheia ao papel de um homem de fé. O frei abusou da erudição para defender a sucursal de um portal “Global” com o qual prefere não se indispor, num texto revelador do desconhecimento sobre o papel da imprensa.

Na data, o Sinjorba também comunica o falecimento do radialista feirense Rogério Magalhães, mais um profissional de comunicação vítima da Covid-19 e do silêncio conveniente de autoridades públicas sobre a necessidade de imunizar os trabalhadores da área.

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