Empresa familiar de Cachoeira mantém viva uma das mais tradicionais bebidas juninas da Bahia, preservando métodos artesanais, fortalecendo a economia local e projetando novos horizontes para o futuro.
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| Foto: Magno do Rosário |
A história da empresa começou com Francisco Moreira Pinto e ganhou continuidade pelas mãos da família, especialmente de Rosival Ferreira Pinto, atual gestor do negócio. Curiosamente, a produção de licor não foi a atividade que deu origem à empresa. Na época, a família atuava em outros segmentos, como a fabricação de charutos, atividade que movimentava a economia regional.
Segundo Rosival, o licor surgiu inicialmente como um gesto de hospitalidade. Durante os festejos juninos, Francisco Moreira Pinto preparava a bebida para oferecer a amigos, clientes e pessoas próximas. Com o passar do tempo, a qualidade do produto conquistou admiradores e abriu caminho para uma nova oportunidade de negócio.
A comercialização ganhou força quando a administração passou para Roque Ferreira Pinto, pai de Rosival. A partir daí, o licor deixou de ser uma atividade complementar e se transformou no principal empreendimento da família, tornando-se uma das marcas mais conhecidas do Recôncavo Baiano.
Sonhos que mudaram de rumo
A permanência de Rosival à frente da empresa aconteceu quase por acaso. Quando jovem, ele sonhava seguir carreira militar e ingressar na Aeronáutica. No entanto, uma questão física impediu sua aprovação nos exames, mudando completamente seus planos.
Após tentar também uma carreira no Exército, um episódio inesperado o levou a permanecer na empresa da família. Seu pai o chamou para uma conversa decisiva, afirmando que já não conseguia administrar o negócio sozinho e precisava de sua ajuda. Rosival aceitou o desafio e, anos depois, reconheceu que a decisão foi fundamental para a continuidade da marca.
“Foi a escolha certa”, resume o empresário, que assumiu a missão de preservar e expandir o legado familiar.
Um sabor que faz parte da identidade junina
No Recôncavo Baiano, o licor ocupa um espaço especial nas comemorações de São João. Mais do que uma bebida típica, ele representa encontros familiares, tradições compartilhadas e memórias construídas ao redor da mesa.
O Licor Roque Pinto tornou-se parte dessa identidade cultural. Produzido com receitas preservadas ao longo das décadas, o produto mantém características que remetem às suas origens e ajudam a explicar sua permanência no mercado.
Atualmente, a empresa oferece mais de 30 sabores. Entre eles, o jenipapo continua sendo o preferido dos consumidores e o verdadeiro carro-chefe da marca. Tamarindo, maracujá, cajá e cupuaçu também figuram entre as opções mais procuradas.
Crescimento e novos mercados
Embora mantenha forte ligação com as tradições do Recôncavo, a empresa ampliou significativamente seu alcance comercial nos últimos anos. Os produtos já são vendidos em diversas cidades da Bahia, especialmente em Salvador, além de chegarem a outros estados por meio de representantes comerciais.
O reconhecimento da qualidade da marca também despertou interesse internacional. Propostas para exportação já foram recebidas, embora a empresa ainda estude a ampliação de sua estrutura produtiva para atender às exigências do mercado externo.
Enquanto esse projeto não se concretiza, o licor continua conquistando turistas que visitam a região durante os festejos juninos e levam a bebida para diferentes partes do Brasil e do mundo.
Mais de 100 mil litros vendidos no período junino
O São João continua sendo o principal período de vendas da empresa. Tradicionalmente, a produção ultrapassa a marca de 100 mil litros comercializados durante a temporada junina.
Com o crescimento constante da demanda, a expectativa é alcançar números ainda maiores. O desempenho positivo também impacta diretamente a economia local, gerando empregos e movimentando diversos setores ligados à produção, distribuição e comercialização dos produtos.
Nos meses de maio e junho, cerca de 60 trabalhadores atuam de forma indireta nas atividades relacionadas à empresa. Durante o restante do ano, a fábrica mantém aproximadamente dez colaboradores.
Modernização sem perder a essência
Mesmo com os investimentos em tecnologia e ampliação da capacidade produtiva, a empresa faz questão de preservar os princípios que acompanham sua trajetória desde o início.
Equipamentos modernos foram incorporados para otimizar etapas como esterilização, engarrafamento e fechamento das garrafas, garantindo maior eficiência operacional. No entanto, a forma de produção continua respeitando os métodos tradicionais que tornaram o Licor Roque Pinto uma referência.
A empresa também planeja a construção de uma nova unidade fabril, visando ampliar a capacidade de produção e atender à crescente demanda dos próximos anos.
Uma história construída por pessoas
Para Rosival Ferreira Pinto, o maior patrimônio da empresa não está apenas nas receitas ou nos números alcançados, mas principalmente na relação construída com os clientes ao longo das décadas.
Muitas pessoas que visitam a fábrica retornam anos depois acompanhadas por filhos e netos, demonstrando como a tradição foi transmitida entre gerações. Essa proximidade fortalece o sentimento de pertencimento e transforma a marca em parte da história de milhares de famílias.
Mais do que produzir uma bebida típica, o Licor Roque Pinto preserva uma herança cultural que atravessa gerações e ajuda a contar a história do Recôncavo Baiano. Em cada garrafa estão presentes não apenas sabores e aromas, mas também a memória de uma família que transformou hospitalidade, trabalho e tradição em um dos maiores símbolos do São João da Bahia. Com informações do Correio de São Félix
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