Um dos principais documentos que lançam luz sobre o tema é o requerimento escrito pelo próprio Castro Alves
A naturalidade de Antônio de Castro Alves (1847–1871), um dos maiores nomes da literatura brasileira e patrono da cadeira nº 7 da Academia Brasileira de Letras, sempre despertou debates e curiosidade entre historiadores, leitores e moradores do Recôncavo Baiano. Para esclarecer definitivamente essa questão, documentos históricos e registros administrativos do século XIX revelam como o próprio poeta declarava sua origem e como se estruturava o território baiano à época.
O registro do próprio poeta
Um dos principais documentos que lançam luz sobre o tema é o requerimento escrito pelo próprio Castro Alves ao solicitar sua admissão na Faculdade de Direito do Recife, datado de 13 de abril de 1864.
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| Manuscrito assinado por Castro Alves |
"nasceu em 14 de março de 1847 na Freguesia da Muritiba da cidade da Cachoeira".
No mesmo documento, o poeta registra ser filho legítimo do Dr. Antônio José Alves e de Clélia Brasília de Castro Alves. Constam também as identidades de seus padrinhos de batismo: o Tenente-Coronel Dionísio de Cerqueira Pinto e Fausta Constança de Castro (provavelmente sua tia materna).
Freguesia x Município: Entendendo a divisão territorial do Império
Para compreender a declaração de Castro Alves, é necessário contextualizar a organização geográfica e administrativa do Brasil Imperial e Colonial:
- Divisão Eclesiástica (Freguesias): Em razão do Padroado Régio — acordo entre a Coroa e a Igreja Católica —, as freguesias funcionavam como divisões religiosas e territoriais primárias, onde se registravam batismos, casamentos e óbitos.
- Divisão Civil (Cidades e Vilas): As vilas e cidades constituíam a estrutura administrativa e política legal do país.
A Freguesia de Muritiba foi criada ainda no início do século XVIII. No entanto, do ponto de vista administrativo e jurídico, permaneceu integrada ao município de Cachoeira ao longo de praticamente todo o século XIX. Essa configuração só se alterou em 1889, anos após a morte de Castro Alves, com a criação e emancipação do município de São Félix.
O "Poeta dos Escravos" e o orgulho cachoeirano
Com base na legislação e na organização territorial da época do seu nascimento, em 1847, a Freguesia de Muritiba fazia parte integrante do território de Cachoeira. Portanto, ao se declarar natural da freguesia pertencente à "cidade da Cachoeira", Castro Alves afirmava sua cidadania e pertencimento a esse importante polo histórico e cultural do Recôncavo Baiano.
É dentro desse rigor histórico e documental que Castro Alves deve ser compreendido e celebrado como um dos mais ilustres cachoeirianos da história do Brasil, reafirmando o papel central do Recôncavo na formação da identidade e da literatura nacional. Com informações de Cachoeira em Letras e Cores.
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