Em entrevista ao Diário da Notícia, Mãe Zelita falou que prestou contas de sua gestão na Irmandade da Boa Morte e anuncia saída da instituição, além do retorno das mulheres à Casa das Mulheres de Axé do Recôncavo, após imbróglio judicial com a Prefeitura Municipal de Cachoeira
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| Foto: Adriano Rivera/Diário da Notícia |
Em entrevista ao repórter Adriano Rivera, do Diário da Notícia, Mãe Zelita afirmou que encerrou o mandato de quatro anos e que todos os materiais que estavam sob sua responsabilidade foram devolvidos à atual gestão.
Segundo ela, entre os itens entregues estão livros, quadros, placas de homenagens, documentos e outros materiais que pertencem ao acervo da Irmandade. A ex-presidente também apresentou um protocolo de devolução, com a relação dos itens recebidos e a assinatura da responsável pela instituição.
“Não tem mais nada da Irmandade na minha mão, nem tampouco na minha residência”, declarou Mãe Zelita.
Durante a entrevista, a ex-presidente também falou sobre os conflitos internos que marcaram os últimos períodos da Irmandade. Ela lamentou episódios que, segundo sua avaliação, provocaram desgaste entre as integrantes e afetaram a imagem da instituição perante a sociedade.
Mãe Zelita afirmou que está há 38 anos ligada à Irmandade da Boa Morte e disse não reconhecer a atual realidade da instituição como aquela que encontrou quando ingressou no grupo.
Ela também criticou o que classificou como acusações, calúnias e conflitos relacionados à disputa por espaço e poder dentro da Irmandade. Na avaliação dela, eventuais divergências deveriam ser resolvidas por meio do diálogo e de reuniões entre as integrantes.
Saída da Irmandade
Questionada se, após deixar a presidência, continuaria como integrante da Irmandade da Boa Morte, Mãe Zelita afirmou que decidiu se afastar definitivamente.
Segundo ela, o ambiente atual não representa mais o espaço com o qual se identificava. Mãe Zelita destacou ainda sua ligação religiosa com Nossa Senhora da Boa Morte e afirmou que continuará levando essa fé consigo.
“Não existo mais, não frequento mais. Não serei mais uma irmã da Boa Morte”, afirmou.
Casa das Mulheres de Axé
A entrevista também abordou a situação envolvendo a Casa das Mulheres de Axé do Recôncavo, da qual Mãe Zelita também faz parte.
Ao comentar o episódio envolvendo o imóvel, ela afirmou que o espaço teria sido devolvido às mulheres de Axé e declarou que, na avaliação dela, a situação caminhou para uma solução favorável ao grupo.
Mãe Zelita também citou uma controvérsia envolvendo livros pertencentes à Irmandade da Boa Morte que estavam guardados no espaço. Segundo ela, enquanto exercia a presidência, entendia que tinha responsabilidade sobre a guarda dos materiais e, por isso, teria escolhido aquele local para armazená-los.
Ela lamentou que a situação tenha provocado novos conflitos entre as integrantes.
Dívida com a Receita Federal
Outro ponto destacado durante a entrevista foi a situação financeira encontrada por Mãe Zelita ao assumir a gestão da Irmandade.
Segundo a ex-presidente, quando iniciou sua administração, a instituição possuía aproximadamente R$ 97 mil em dívidas com a Receita Federal. Ela afirmou que realizou pagamentos ao longo de sua gestão e deixou a administração com os débitos sendo regularizados.
Mãe Zelita disse ainda que efetuou o pagamento referente à Receita Federal até agosto, mês em que deixou a presidência, e que caberá à nova gestão dar continuidade à quitação do restante da dívida.
Ela ressaltou que também realizou investimentos e ações durante o período em que esteve à frente da instituição, mas preferiu não detalhar todos os itens que, segundo ela, foram incorporados ao patrimônio da Irmandade.
Apelo pela união
Ao final da entrevista, Mãe Zelita fez um apelo às integrantes da Irmandade da Boa Morte para que busquem a paz, o respeito e a união.
Para ela, os conflitos internos chegaram a um nível que considera prejudicial para uma instituição de importância histórica e religiosa, com séculos de tradição.
“Que cada um ame umas às outras e pare com isso”, declarou.
A ex-presidente afirmou ainda que espera que a Irmandade consiga superar as divergências e preservar sua história, sua tradição e sua importância para a cultura e a religiosidade do Recôncavo Baiano.
A entrevista foi concedida ao repórter Adriano Rivera, do Diário da Notícia. Ouça:
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