A Casa das Mulheres de Axé do Recôncavo permanece ocupada pelas ocupantes que contestam a decisão da prefeitura de Cachoeira
Venceu, no último dia 8 de agosto, o prazo estabelecido para a desocupação da Casa das Mulheres de Axé do Recôncavo, localizada em Cachoeira. O imóvel é ocupado por mulheres ligadas às tradições de matriz africana e foi solicitado pela Prefeitura de Cachoeira para a implantação da primeira Casa da Igualdade Racial do Brasil.O prazo de 30 dias para a entrega do prédio havia sido estabelecido em 8 de maio. Entretanto, mesmo com o encerramento do período determinado, as ocupantes permanecem no local e afirmam que não pretendem deixar o imóvel.
Na manhã desta quarta-feira (12), a reportagem do Diário da Notícia conversou com Mãe Zelita, uma das representantes das mulheres que ocupam o espaço. Segundo ela, o grupo continuará buscando alternativas jurídicas e administrativas para garantir a permanência no prédio.
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Mãe Zelita afirmou ainda que pretende continuar recorrendo das decisões relacionadas à desocupação e que as Mulheres de Axé seguirão mobilizadas em defesa da permanência da casa.
Mulheres contestam desocupação
De acordo com as Mulheres de Axé, o imóvel teria sido cedido para utilização do grupo pelo período de 30 anos. Elas afirmam que, há cerca de dois anos, realizaram uma ampla reforma no espaço, que, segundo o grupo, estava em condições de abandono e sem condições de uso.
As ocupantes também sustentam que ainda restariam vários anos para o encerramento do período de concessão e defendem que uma eventual mudança na destinação do imóvel não poderia ocorrer de forma unilateral.
A Prefeitura, por sua vez, pretende utilizar o espaço para a implantação da Casa da Igualdade Racial, proposta que coloca em lados opostos a administração municipal e as mulheres que atualmente ocupam o imóvel.
Disputa deve continuar
Com o prazo de desocupação já encerrado e a permanência das ocupantes, o impasse deve continuar sendo discutido nas esferas jurídica e administrativa.
O caso também amplia o debate em Cachoeira sobre a preservação dos espaços ligados às religiões de matriz africana, a utilização de imóveis públicos e a implementação de políticas voltadas à promoção da igualdade racial.
A disputa envolve as Mulheres de Axé e a Prefeitura de Cachoeira, sob a gestão da prefeita Eliana Gonzaga, e poderá ganhar novos capítulos à medida que forem analisadas as medidas adotadas por ambas as partes.
O Diário da Notícia continuará acompanhando o caso e as manifestações das Mulheres de Axé e da Prefeitura de Cachoeira. Informações do repórter Adriano Rivera, do Diário da Notícia.
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