Calor extremo ameaça produtividade e rentabilidade da avicultura com avanço das temperaturas

Perspectiva de influência do El Niño entre 2026 e 2027 aumenta a preocupação dos produtores e reforça a necessidade de instalações adequadas e estratégias para reduzir o estresse térmico das aves.

Imagem Ilustrativa / Foto: Divulgação/FAEP
A possibilidade de temperaturas acima da média em diferentes regiões do Brasil coloca a avicultura em estado de atenção. Com a perspectiva de influência do fenômeno El Niño entre 2026 e o início de 2027, produtores precisam reforçar o planejamento das instalações e adotar medidas capazes de reduzir os efeitos do calor sobre o desempenho dos plantéis.

As projeções climáticas do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apontam para a possibilidade de continuidade da influência do fenômeno climático, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico. Esse cenário pode provocar mudanças no regime de chuvas e contribuir para temperaturas mais elevadas em determinadas áreas do território brasileiro.

Para a agropecuária, as condições climáticas representam um fator importante de risco, já que o ambiente interfere diretamente no bem-estar dos animais e nos resultados produtivos.

“Essas condições exigem atenção dos produtores rurais, já que o ambiente interfere diretamente no desempenho dos animais e nos resultados da produção”, afirma Bruno Nolasco, gerente de negócios agro da Belgo Arames.

Estresse térmico pode reduzir consumo de ração

A avicultura está entre as atividades que podem sofrer impactos significativos durante períodos prolongados de calor intenso. Quando expostas a temperaturas elevadas, as aves ativam mecanismos fisiológicos para tentar controlar a temperatura corporal.

Um dos principais sinais é o aumento da frequência respiratória. Ao mesmo tempo, os animais tendem a reduzir o consumo de ração, enquanto parte da energia que seria destinada ao crescimento, à produção de ovos ou à reprodução passa a ser utilizada para a manutenção do equilíbrio térmico.

“As aves possuem capacidade limitada de dissipar o calor corporal. Em situações de calor excessivo, ativam mecanismos fisiológicos para reduzir a temperatura interna, entre eles o aumento da frequência respiratória. Ao mesmo tempo, tendem a reduzir o consumo de ração e a direcionar parte da energia que seria utilizada para crescimento, produção de ovos ou reprodução para a manutenção do equilíbrio térmico”, explica Nolasco.

O resultado pode aparecer diretamente nos indicadores produtivos e reprodutivos, com potencial impacto sobre a eficiência da criação e, consequentemente, sobre a rentabilidade do produtor.

Instalações preparadas são fundamentais

Diante da possibilidade de períodos mais quentes, a preparação das instalações passa a ter papel estratégico. O objetivo é proporcionar melhores condições de conforto térmico e reduzir o esforço fisiológico das aves para controlar a temperatura corporal.

Em sistemas de criação em gaiolas, por exemplo, a circulação adequada do ar contribui para melhorar as condições ambientais. A oferta permanente de água fresca também exige atenção especial, já que o consumo pode aumentar significativamente durante períodos de calor.

Segundo o especialista, medidas preventivas são importantes para evitar que o produtor seja obrigado a reagir somente depois que os efeitos do estresse térmico já estejam comprometendo os índices de produção.

“Por isso, é fundamental que o produtor esteja preparado para minimizar esses impactos e oferecer um ambiente mais adequado aos animais. O planejamento das instalações desempenha papel essencial nesse processo”, destaca Bruno Nolasco.

Estrutura também precisa resistir ao ambiente

Além do conforto térmico, a estrutura física dos aviários merece atenção. O ambiente de criação de aves é constantemente submetido à umidade, limpeza e processos de higienização, fatores que podem acelerar a corrosão de determinadas estruturas metálicas.

Nesse cenário, a escolha dos materiais utilizados na construção e manutenção das instalações pode influenciar diretamente a durabilidade e os custos de manutenção ao longo do tempo.

Soluções que oferecem maior proteção contra a corrosão são utilizadas para aumentar a vida útil das estruturas expostas a ambientes considerados mais agressivos.

Entre essas alternativas estão tecnologias que combinam zinco e alumínio, como o revestimento Bezinal, desenvolvido para proporcionar maior resistência à corrosão.

Clima vira fator estratégico para a produção

Com a possibilidade de temperaturas elevadas durante os próximos meses, o cenário reforça que o planejamento climático deve fazer parte da gestão da atividade avícola.

Mais do que uma questão de conforto animal, o controle do estresse térmico está diretamente relacionado à eficiência produtiva, ao consumo de insumos, à saúde dos plantéis e à rentabilidade da criação.

Para os produtores, antecipar os períodos de maior calor, revisar equipamentos, garantir disponibilidade de água e avaliar as condições das instalações pode ser decisivo para reduzir perdas e manter a produtividade diante de um cenário climático mais desafiador.

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