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segunda-feira, 23 de maio de 2016

Opinião: Políticos e justiça são despidos com gravação de Jucá. Está todo mundo nu

Imagem: Divulgação
Por Edgard Abbehusen
Está todo mundo nu. Gravação envolvendo Jucá tira a roupa da política, da justiça e coloca o coro contra a corrupção em situação patética.

Sei que muitos que quiseram tirar Dilma e foram às ruas para isso, estavam indignados, revoltados - com razão, reconheço. Muitos queriam, realmente, o fim da corrupção. Muitos, também, sentindo no bolso a crise econômica, imaginaram que, sem Dilma, as coisas iriam melhorar.

Mas o que se viu, já mesmo durante as prerrogativas de suposições de nomes ministeriais do governo legitimo (do golpe), foi justamente o contrário. Esse legitimo governo (do golpe) não conseguiu, sequer, gerar confiabilidade econômica e o mercado continuou oscilando.

Em seu primeiro discurso como presidente (do golpe) temer – em minúscula, mesmo – tentou, sem sucesso, ser simpático ao afirmar que manteria e melhoraria os programas sociais. Em alguns segundos, pra começar, já anulava a construção de milhares de casas do Minha Casa Minha Vida.

Extinguiu ministérios importantes, menosprezou as minorias e foi duro com a classe artística jogando o Minc para escanteio. Recebeu reações. Foi parar no tapete vermelho - quanta ironia. Pressionado, recriou o Minc.

A mídia, compactuada a passar a sensação de tranquilidade para as massas, tentou – de forma jocosa – driblar a opinião pública.

As panelas sumiram, a indignação se transformou em vergonha.

E, desde que entrou pela janela da sala da presidência, temer mostra-se surpreso com as contas, com o rombo, com o déficit. Ameaça expor, em rede nacional, todas as dívidas do governo (eleito) para o governo (do golpe). Se esquecendo, porém, que ao lado de Dilma, esteve ele. Que, inclusive, pedalou tanto quanto ela – e até mais, segundo decretos assinados e autorizados pelo próprio. 

Odorico Paraguaçu, personagem criado por Dias Gomes, certamente diria que “isto deve ser obra da esquerda comunista, marronzista e badernenta”. Complementaria que todos que protestam contra o ‘legitimo do golpe’ são viúvas de cargos e salários, ajudando a entonar o coro que se segue.

Mas, depois dessa segunda-feira, 23, ao saber dos acontecimentos desse 10º dia do temer na cadeira da presidência, Odorico diria que chegou a hora de “botar de lado os entretanto e partir logo pros finalmente.”

O golpe não era contra a corrupção, era a favor dela.

E não há santificação de Dilma e do PT com essa afirmação. O PT e os seus membros envolvidos em corrupção vem sendo punidos desde o mensalão, é fato. O PSDB, PMDB, os helicópteros entupidos de cocaína, a merenda escolar do Estado de São Paulo, tudo isso passa como uma ventania boa pra distrair otário. Depois, todo mundo é absolvido.

O que aconteceu nessa segunda-feira é grave. Mostra como nosso sistema político é falho e vergonhoso. Mostra que, mesmo diante daquela palhaçada do dia 17 de abril de 2016, nós somos os palhaços.

Fosse Dilma a presidente e um dos seus ministros, de forma clara e objetiva, negociando barrar a Lava Jato, a mídia já teria incitado o povo às ruas, como no dia em que o “Bessias” levou o papel e uma presidente da república teve sua conversa grampeada. O dia em que Lula disse que a justiça estava acovardada. Aquele dia em que a justiça virou política. Hoje, a justiça foi citada como cúmplice de bandidos.

Os que estão no poder de forma legitima – para o golpe – tratam a corrupção com naturalidade e a frieza de um psicopata. Tratam todos nós, os contra e a favor do impeachment, como imbecis. Nos jogam um contra os outros enquanto acordões estão sendo pactuados nos porões de lama de Brasília.

Mas, dessa vez, o sistema se despiu inteiro.

Eduardo Cunha, Renan, STF, Temer, Jucá, Senado, Deputados. Todos eles ficaram ainda mais nus do que já estavam.

As panelas e o povo às ruas nunca foram tão necessários como nessa segunda-feira, 23.

Em Cachoeira, os alunos da UFRB gritaram, em manifestação na semana passada: “Se empurrar, o Temer cai.”.

Mas, se nos calarmos agora, quem cairá somos nós. Nossa democracia já foi à lona. Que peguemos o mínimo de dignidade que ainda temos como pátria, e usemos para resgatá-la.

E, parafraseando mais uma vez Dias Gomes com seu eterno Odorico, “não vamos ficar aqui com essa cara de seu-Malaquias-cadê-minha-farofa! É hora de tomar os providenciamentos necessários!"
 
Edgard Abbehusen é estudante de jornalismo da UFRB
*As opiniões emitidas em artigos assinados no site Diário da Notícia são de inteira e única responsabilidade dos seus autores.
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