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segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Opinião: Inimigos de todo o mundo, uni-vos!!!

Foto: Ilustrativa | Lápis Criativo
Por Sergio Marcone Santos
Os semelhantes se atraem.  Tendemos a buscar pessoas que tenham afinidades conosco, que pensem parecido, que gostem dos mesmos filmes, das mesmas músicas, do mesmo acarajé.

Com a hiper polarização de ideias e ideologias, estamos tendendo há algum tempo a não aceitarmos pessoas que não pensem e que não comunguem parecidas conosco.

O problema é quando não aceitamos que o outro pense diferente. Para um o outro optou por um lado errado, equivocado. É burro, ignorante, incauto, reacionário, pensamos. Eu já bloqueei pessoas em redes sociais que me “enchiam o saco” com opiniões contrárias às minhas. O que eu creio como extremamente factível, óbvio não o seria para outrem, logo, deixei-os falando sozinhos ou para seus pares.

Mas, quão intolerantes e obtusos foram estes meus bloqueios? Por que a opinião alheia tanto me fere? Por que penso que aquela opinião contrária à minha perde o direito de dizê-la somente porque eu não quero e não gosto?

Intolerância, seja ela qual for, é nossa praia. E por que privar-se dela? Hoje eu não tolero bêbados. E por que teria de tolerá-los? Não tolero também gente “ixxxperta”, que adora tirar vantagens. E por que tenho que aceitá-la? Entendi. Pelo princípio cristão de que devemos nos suportar com amor. Ok. Mas querer estar longe dessa gente significa desamor?

O ponto nevrálgico é quando isso afeta a amizade. Por se acreditar que ela esteja acima dessas querelas, até bem pouco tempo era possível o amigo A torcer para o Bahia e o B para o Vitória, que a divergência entre eles não passaria de simples gozação em caso da derrota de um dos times. De um tempo para cá estes “torcedores” passaram a romper as amizades. Não toleram ouvir, sequer saber que o outro torce para seu adversário. Multiplique esse caso por vários setores da vida: político, ideológico, econômico etc. Nada está a salvo da intolerância e do rompimento.

Para além de tachar o semelhante como intolerante, está seu direito de sê-lo. Fica, assim, o questionamento sobre o amor que a relação gozava antes de haver o cisma, porque para se romper uma amizade, outrora, era necessário haver um motivo excepcional e depois de várias desculpas pedidas e dadas. Conclui-se então que a polarização ideológica (política) passou a fazer parte do índex da amizade perfeita. A sua preferência político-partidária é um delito igual à uma traição, por exemplo.

Mas como a polaridade ideológica entrou nessa lista tão seleta? Se partirmos do pressuposto de que nossos sentimentos atuais beiram aos de um fiel religioso ante a dogmas, fica fácil de explicar: o movimento de polarização iniciado há poucos anos quer a fração, o dividido, o rachado, sendo cada fragmento desses um coletivo que reproduz linear e simultaneamente a mesma práxis, a mesma ideia.

Pensava-se ser a amizade imune a estas investidas. Mas o pensamento no todo, no coletivo está, para muitos, acima de qualquer relação, inclusive a pessoal, por conseguinte acima da amizade. Achamos que romper com um amigo em nome de um projeto que se pensa ideal e bom para todos é em prol de uma causa justa, correta.

Assim, um lado rompe com os “pequenos-burgueses” (coxinhas, evangélicos, militares etc.), o outro rompe com os “pelegos” (petralhas, sindicalistas, feministas etc.) e ambos desejam a mesma coisa: salvar o mundo e nos proteger porque somos, para eles, indefesos, incapazes, coitadinhos, ou seja, “semelhantes”, espécie de irmãos siameses paridos da e para a coletividade.

Tanto o intolerante - eu quanto o intolerante - outro julgamos ser o próprio mundo perfeito, cujo epicentro do terremoto é a fala do outro. Ao conversar sobre política com um amigo, ele me disse: “A sua fala me dá raiva”. Ele é um intolerante que não odeia a mim, mas ao “meu coletivo”, ao “meu grupo” que ameaça o seu.

O coletivo anula o Eu. O coletivo faz os fins justificarem os meios edulcorando-os através de falácias como inclusão, engajamento, empoderamento.

Definitivamente, não vale a pena.

Sergio Marcone Santos é formado em Letras Vernáculas pela UEFS e pós graduando em Comunicação em Mídias Digitais pela Unifacs

*As opiniões emitidas em artigos assinados no site Diário da Notícia são de inteira e única responsabilidade dos seus autores.
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