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quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Opinião: O que vi esses dias

Foto: Ilustrativa | Empreenda bem
Por Sergio Marcone Santos
Lula chegou num palanque na Av. Paulista, em São Paulo, e falou depois da vitória nas eleições para presidente da república em 2002. Chorei ao ouvir aquele senhor nordestino que representava o sonho do trabalhador, cujo partido lutava por honestidade, por ética, por igualdade.

Eu não sabia que nada disso existia nos planos de Lula e do PT. A minha pouca visão de mundo achava que existia um “nós contra eles”, em que nós, os pobres, tínhamos que tomar de volta o que eles, os ricos, haviam tomado de nós.

A chance era Lula. E essa chance era em engodo.

Desse mandato de Lula em 2003 até hoje em 2016, vi a realidade ser maior do que aquele sonho meu. A imposição de fatos, que envolvem toda a sorte de malfeitos no que diz respeito à coisa pública, só não é maior para aqueles que se recusam a ver a derrocada de nosso Brasil brasileiro por uma paixão política.

No dia 2 de outubro o povo disse “não” a Lula e a todos que representam esse sonho frustrado. Na maioria das cidades, os candidatos do PT amargaram derrotas num claro recado de que foi um grande equívoco ter deixado esse partido governar por tantos anos o país.

Outro “não” também foi dito nesse mesmo dia 2. Na Colômbia, o plebiscito para que houvesse um acordo entre o governo e as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), um grupo que há mais de 20 anos atua a partir da selva daquele país, daria um basta a assassinatos e sequestros. O acordo previa perdão para alguns crimes, cadeiras no parlamento (!!) e diminuição nas penas para seus membros. Sabiamente o povo se negou a ter que, por exemplo, ser vizinho de um membro das Farc que sequestrou e matou um parente seu, vivendo livremente e votando leis ainda por cima. A paz tem que acontecer, não assim.

Vi também um grupo de candidatos a vereadores derrotados nas urnas irem à porta da Polícia Federal aqui em Feira de Santana reivindicar votos a que teriam como certo, mas que a urna se negara a computar. Fraude? Por certo, acham os candidatos. O desemprego abateu os 12 milhões de brasileiros. Entendo, pois, tamanho desespero, mas voltem daqui a quatro anos.

“Jonathas 50”. Basta isso para que o professor Jonathas Monteiro de cabelos “rasta” arrebanhe tantos votos. Ele é, sem dúvida, um fenômeno. Há nele um carisma que poucos políticos têm. Talvez falte-lhe experiência, já que nunca passou nem pelo legislativo e já almeja administrar uma cidade de 622 mil habitantes. Outra dúvida seria quais acordos políticos Jonathas faria em caso de passar para o segundo turno. O PSOL, seu partido, é uma agremiação vinda dos insatisfeitos do PT, apoiam aberrações como o chavismo e tem Luciana Genro como seu ícone, além do ex-BBB Jean Wyllis. Acham-se de um purismo só encontrado na era vitoriana. De qualquer forma, o brilho de Jonathas é próprio. Seus planos de governo, como sói acontecer às esquerdas, devaneiam achando que um orçamento é feito de elástico. Sua oposição ao atual governante é cega, meramente por ser “contra a direita”, vide as opiniões do PSOL sobre as obras do BRT.

Já o candidato do PT, Zé Neto, estava em sua quarta tentativa de sentar-se na cadeira de prefeito. Rompeu com uma grande quantidade de “companheiros” e prefere acreditar que suas ideias sejam geniais o bastante para convencer os eleitores. Seu índice de rejeição beirou os 40%. Mesmo assim ele acredita ser uma alternativa à hegemonia ronaldista. Sua derrota foi fragorosa, além de o PT só eleger somente um vereador na cidade.

Perguntinha de um milhão de dólares: o que faz um partido manter um candidato que nunca ganha, lançar-se a cada novas eleições? Cartas à redação.

Sergio Marcone Santos é formado em Letras Vernáculas pela UEFS e pós graduando em Comunicação em Mídias Digitais pela Unifacs
 *As opiniões emitidas em artigos assinados no site Diário da Notícia são de inteira e única responsabilidade dos seus autores.
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