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segunda-feira, 18 de julho de 2016

Opinião: Da amizade

Foto: Ilustrativa | Ipbcarandai
Por Sergio Marcone Santos
Não, não vou falar do filósofo romano Cícero, que escreveu um tratado sobre o tema. Vou, sim, falar algumas coisas sobre a amizade a partir de minhas vivências e pontos de vista.

Penso sobre a amizade. Acho que ela é, ainda, um fenômeno, um acontecimento em nossas vidas e que mesmo que algumas delas durem anos, décadas, não só merecem ser vividas, mas também contempladas. Eu tenho a sorte de amores tranquilos: eu tenho amigos. Mas o fato de eles existirem não significa necessariamente que se trata de amor perene, presente, que me acompanha durante muito tempo e que está sempre à minha disposição nas horas incertas. Tenho amigos que vão e vêm. Que passaram por mim, que passaram um tempo sem aparecer, mas eis que ressurgem e voltamos a caminhar juntos. O tempo, esse senhor tão bonito, parece ter ficado em suspenso para que as mãos voltassem a se enlaçar com sorrisos e planos, enfim, com amor.

Mas porque temos tão poucos já que é tão bom ter amigos? Tento um palpite: não temos poucos, temos o suficiente. Você não precisa de tanta gente assim para ser feliz. Você precisa de um para contar seus problemas e ouvir conselhos, de um para rir, para tomar café, para conversar sobre filmes, livros e música e para pedir dinheiro emprestado. Se este mix vem em 50 ou em dois amigos pouco importa. O que importa é que você comece por enxergar o que é qualidade na amizade, a quantidade é um detalhe que só vai interessar a ególatras, que adoram viver rodeados de gente para que suas sandices sejam aplaudidas e legitimadas pelos outros.

Há ainda a máxima tirada da Bíblia de que se reconhece um amigo quando realmente se precisa de algo. A tendência, portanto, é que eles sumam quando você precisa. Comigo isso nunca aconteceu. O que eu poderia julgar como um recuo de alguém foi-me entendido mais como um problema meu que do outro. Eu não posso pautar minha vida com todas as suas adversidades a partir do auxílio do outro, mesmo porque nunca sabemos se naquele momento a pessoa à qual você pediu auxílio está apta a te ajudar. Talvez ela é que esteja precisando de você, mas no afã de resolver logo seu imbroglio você nem percebeu.

Desconfio de amigos que não discordam nem “brigam” (podem tirar as aspas à vontade). Dizer amém a tudo o que você diz ou pensa é tudo de que você não necessita, embora persigamos figuras com esse perfil para dizermos a nós mesmos “tá vendo? Eu sei que estou (sempre) certo!”. Nunca tive medo de pedir conselhos, de contar segredos íntimos, de partilhar angústias. Também sou um agraciado por meus interlocutores, sobretudo por aguentarem minhas lamúrias. Ouvir já é um gesto de amor!!

Quanto às traições de amigos, te digo que elas existem. Mas, mais uma vez recorro à nossa cegueira que nos impediu de ver um ser falho. Faltou atenção nossa. Ficamos embevecidos por aquela figura tão sagaz e eloquente (sim, figuras “lindas” são os traidores) e nos enredamos em nosso próprio Eu vendo-o, ouvindo-o, partilhando de sua companhia. Sacou agora quem é o lobo homem ou quer que eu desenhe?

Por fim, injusto seria citar meus amigos aqui, claro, sob pena de esquecer alguém, mas, sobretudo, seria chamá-los de ignóbeis por não se reconhecerem nessas linhas.

Louvo a Deus por suas vidas e, destarte, louvo por ser vocês.

Sergio Marcone Santos é formado em Letras Vernáculas pela UEFS e pós graduando em Comunicação em Mídias Digitais pela Unifacs

*As opiniões emitidas em artigos assinados no site Diário da Notícia são de inteira e única responsabilidade dos seus autores.
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