Diário da Notícia | Recôncavo Baiano - Rubem Júnior
Foto: Reprodução
A Bahia registrou a primeira condenação por racismo, na modalidade preconceito religioso, seis anos após a morte da vítima do crime, a ialorixá Mildredes Dias Ferreira, conhecida como Mãe Dede de Iansã. A sentença foi publicada na segunda-feira (7). 

A condenada, Edneide Santos de Jesus, terá que prestar serviços à comunidade, além de ter que se apresentar mensalmente à Justiça. Ela hostilizava a ialorixá e os religiosos em sucessivos abusos racistas. Mãe Dede morreu de infarto em 2015, aos 90 anos, após ter saúde agravada pelo racismo religioso, segundo a família. 

Os ataques a ela e ao Terreiro Oyá Denã, que em Camaçari, região metropolitana de Salvador, começaram em agosto de 2014, sendo agravados no ano de sua morte. Edneide gritava insultos como “sai, satanás” e jogava sal grosso em frente ao terreiro de candomblé. A condenada faz parte da Igreja Casa de Oração Ministério de Cristo, que fica em frente ao terreiro. 

O caso foi registrado na delegacia e, em 2015, o Ministério Público da Bahia (MP-BA) denunciou a acusada por praticar discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. A atual ialorixá do Terreiro Oyá Denã, Mary Antônia Monteiro, filha de criação da vítima, fala sobre como os ataques racistas contribuíram para o agravamento do estado de saúde de Mãe Dede.

“Eu atribuí essa perda não dizendo diretamente que eles mataram ela, porque eles não tinham esse poder. Mas que contribuíram muito, em cima dela já doente e ainda pedir que eles fizessem o evangelismo eles, mas que tivessem o horário. Eles não respeitaram, era a noite toda. Na véspera dele falecer, foi sábado, a noite toda. Amanheceram o dia com a vigília”.



Fonte: G1

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