Davi Oliveira morreu durante ação policial em São Félix - Foto: Redes Sociais
A Bahia é o segundo estado com maior taxa de morte violenta intencional a cada 100 mil habitantes (44,9). A informação é do Anuário da Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (15), que reúne o número de mortes violentas, de crimes contra o patrimônio e de armas em circulação, entre outros indicadores em todo o país, em 2020.

Segundo informações do levantamento, a taxa de mortes violentas intencionais cresceu 4% no país. A média ficou em 23,6 pra cada 100 mil habitantes.

O estado está atrás apenas do Ceará, que registrou taxa de 45,2. Já São Paulo (9), Santa Catarina (11,2) e Minas Gerais (12,6) tiveram as menores taxas. No Brasil, o perfil das vítimas é de pessoas negras (76,2%), jovens (54,3%) e do sexo masculino (91,3%).

Os dados mostraram que Feira de Santana (89,9), Simões Filho (89,8), Santo Antônio de Jesus (76,2) e Camaçari (75,9) estão entre as 10 cidades com maiores taxas de mortes violentas intencionais do Brasil. Integram esse ranking apenas municípios com mais de 100 mil habitantes.

A Bahia também registrou, de acordo com o Anuário da segurança Pública, no ano passado, 113 crimes de feminicídio, crime de ódio em que a mulher é assassinada em contexto de violência doméstica ou por misoginia – aversão às mulheres. O número aponta um crescimento de 11,8% em comparação ao registrado pelo estado em 2020.

O levantamento ainda apontou um aumento de 46,5% na taxa de letalidade policial na Bahia. No Brasil, o aumento foi bem menor, de 0,3%.

O número de mortes provocadas por policiais subiu de 773 em 2019 para 1.137, no ano passado.

A Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) informou que as polícias Militar e Civil investem anualmente em treinamento para utilizar a força, de forma escalonada, quando existe a necessidade, durante operações, abordagens e blitze. De acordo com o órgão, o uso de arma letal é sempre a última opção.

O barbeiro Davi Pereira Santos Oliveira, de 22 anos, estaria entre as vítimas de operações policiais na Bahia. Ele foi baleado e morto em dezembro de 2020, na cidade de São Félix, no Recôncavo Baiano.

A Polícia Militar informou que ele reagiu a tiros durante uma tentativa de abordagem. A família do jovem nega. Sete meses depois, a mãe dele, Simone Pereira dos Santos, ainda espera por justiça.

"Não foi abordagem, ele foi executado com um tiro na cabeça e até hoje nada foi feito. Vai fazer oito meses e nada foi feito", disse.

Em nota, a Polícia Civil informou que o inquérito que investigou a morte de Davi Pereira foi concluído e enviado ao Ministério Público. A reportagem da TV Bahia entrou em contato com o órgão para saber se houve denúncia, mas não obteve respostas.

Fonte: G1

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