O principal motivo apontado é o aumento considerado exorbitante dos cachês cobrados por bandas e artistas, o que tem tornado insustentável a manutenção das festas nos moldes atuais.
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| Foto: Reprodução |
Em vídeo publicado nas redes sociais, o prefeito de Conceição da Feira, João de Furão, aborda diretamente a crise que atinge os cofres municipais às vésperas do São João. Segundo ele, os valores atualmente praticados pelo mercado artístico fogem completamente da realidade financeira dos municípios, especialmente os de pequeno e médio porte, colocando em risco a continuidade de uma das mais importantes manifestações culturais do Nordeste.
“O São João é patrimônio cultural do nosso povo, mas os custos se tornaram inviáveis. As prefeituras não conseguem acompanhar essa escalada de preços”, alerta o gestor, ao destacar o impacto negativo do cenário atual sobre a preservação das tradições regionais.
Tema semelhante foi abordado pelo prefeito de Senhor do Bonfim, Laércio Júnior, em entrevista concedida à radialistas da região. Na conversa, o prefeito afirmou que os municípios baianos estão “reféns dos escritórios de artistas”, que passaram a impor cachês incompatíveis com a capacidade orçamentária das prefeituras.
Como exemplo, Laércio citou o cantor Pablo, que em 2025 teria recebido cerca de R$ 400 mil por apresentação e, atualmente, estaria cobrando até R$ 900 mil. Outro caso mencionado foi o de Wesley Safadão, cujo cachê gira em torno de R$ 1,5 milhão por show.
Diante desse cenário, o prefeito foi categórico ao afirmar que não pretende comprometer as finanças do município para realizar o São João. “Depois do dia 24 de junho, a população continua precisando de médico, de exame, de remédio, de transporte. A prefeitura não pode se endividar por causa de festa”, destacou.
Como alternativa, Laércio Júnior defendeu a retomada de um São João mais tradicional, valorizando as raízes culturais, os artistas locais e formatos já conhecidos pela população, com custos compatíveis com o orçamento público. Ele também defendeu uma união entre os prefeitos da Bahia para buscar uma adequação nos valores cobrados pelos artistas e discutir uma possível regulamentação dos cachês.
O debate ganha força entre gestores municipais, produtores culturais e a sociedade, levantando questionamentos sobre o futuro dos festejos juninos e a necessidade de equilíbrio entre entretenimento, responsabilidade fiscal e preservação da cultura nordestina. Informações do Diário da Notícia.
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