UPB e MP-BA lançam iniciativa “São João sem milhão” e prometem frear cachês exorbitantes nas festas juninas

O cantor Sandro Becker tem sido uma das vozes mais críticas ao atual formato das festas de São João. Para ele, o evento perdeu sua identidade original e se transformou em um “festival de duplas sertanejas”, deixando o forró tradicional em segundo plano.

A União dos Municípios da Bahia (UPB) e o Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA) uniram forças para enfrentar um dos temas mais polêmicos dos festejos juninos nos últimos anos: os cachês milionários pagos por prefeituras a artistas e bandas contratadas para o São João. A iniciativa, que já vem sendo chamada de “São João sem milhão”, promete rigor na fiscalização, transparência nas contratações e um verdadeiro pente-fino nos gastos com recursos públicos.

O foco da ação está, principalmente, nas negociações realizadas com escritórios artísticos, que, segundo denúncias recorrentes, atuam de forma articulada, formando verdadeiros cartéis para inflacionar valores e impor condições às administrações municipais. A parceria entre UPB e MP-BA pretende analisar contratos, comparar cachês praticados entre cidades e coibir abusos que comprometem os cofres públicos.

Os números ajudam a dimensionar o problema. Somente em 2025, os gastos das prefeituras baianas com festas juninas ultrapassaram R$ 600 milhões, valor que reacendeu o debate sobre prioridades na aplicação do dinheiro público, especialmente em municípios que enfrentam dificuldades em áreas como saúde, educação e infraestrutura.

Além da discussão financeira, a iniciativa também reacende um debate cultural. O cantor Sandro Becker tem sido uma das vozes mais críticas ao atual formato das festas de São João. Para ele, o evento perdeu sua identidade original e se transformou em um “festival de duplas sertanejas”, deixando o forró tradicional em segundo plano.

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“Com o cachê pago a uma única dupla sertaneja, daria para contratar de cinco a oito artistas de forró”, critica Sandro Becker. Segundo o artista, além de mais econômico, esse modelo valorizaria músicos locais e regionais, preservando a essência cultural do São João nordestino. O tom é de descontentamento com o que ele classifica como uma inversão de prioridades, tanto culturais quanto financeiras.

A proposta do “São João sem milhão” não tem como objetivo acabar com as festas, mas sim tornar os eventos mais equilibrados, transparentes e alinhados com a realidade financeira dos municípios, ao mesmo tempo em que abre espaço para a valorização do forró e das tradições juninas.

Com o avanço das fiscalizações e o acompanhamento mais próximo do Ministério Público, a expectativa é de que os festejos juninos dos próximos anos mantenham sua grandiosidade, mas sem excessos, respeitando o dinheiro público e a identidade cultural do São João baiano.

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