Após ser acusada de praticar intolerância religiosa, prefeita de Cachoeira recebe apoio do PT e de entidades ligadas às religiões de matriz africana

Em nota enviada ao Diário da Notícia, as entidades afirmaram prestar “irrestrita solidariedade” à gestora

Foto: SNIR/PT
A prefeita de Cachoeira, no Recôncavo Baiano, Eliana Gonzaga (PT), recebeu uma manifestação pública de solidariedade após ser alvo de acusações relacionadas à intolerância religiosa. O apoio foi divulgado na terça-feira (25) pelo Setorial Inter-religioso Nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), pelo Setorial Inter-religioso da Bahia e pelo Núcleo de Axé.

Em nota enviada ao Diário da Notícia, as entidades afirmaram prestar “irrestrita solidariedade” à gestora e classificaram os ataques direcionados à prefeita como “levianos, infundados e de cunho político”. Segundo o documento, a administração municipal tem adotado medidas voltadas à valorização e à garantia de direitos dos povos e comunidades tradicionais de matriz africana.

Entre as ações citadas está o apoio institucional ao Terreiro Ilê Axé Icimimó Aganjú Didê, espaço religioso histórico de Cachoeira que recebeu o tombamento como Patrimônio Cultural Brasileiro pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em 2024. A Prefeitura também é apontada no manifesto como participante de ações de proteção e apoio jurídico ao terreiro.

O manifesto também destaca a adesão de Cachoeira ao Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Sinapir) e à política nacional voltada aos povos e comunidades tradicionais de terreiro e de matriz africana. A gestão municipal ainda é citada pela criação do Conselho Municipal da Igualdade Racial e pela implantação da Casa Municipal da Igualdade Racial.

Outro ponto destacado pelas entidades é o apoio à Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte, instituição tradicional de Cachoeira ligada à preservação da cultura afro-brasileira. O documento menciona ações de apoio aos rituais religiosos, manifestações culturais, economia solidária, empreendedorismo afro e preservação da memória das comunidades tradicionais.

A relação da gestão municipal com a proteção do patrimônio religioso de matriz africana também já havia sido registrada em episódios anteriores envolvendo o Terreiro Icimimó. Em 2023, diante de relatos de coação e tentativa de invasão do espaço religioso, a Prefeitura informou ter atuado em conjunto com órgãos estaduais para buscar medidas de proteção ao terreiro e à comunidade.

O manifesto divulgado pelo PT afirma ainda que a atuação da prefeita representa, na avaliação das entidades signatárias, um compromisso com a ancestralidade, a igualdade racial e a defesa dos povos tradicionais.

“Aos ataques, respondemos com a força da nossa ancestralidade, com o trabalho e com a unidade”, afirma o documento assinado pelo Setorial Inter-religioso Nacional do PT, pelo Setorial Inter-religioso da Bahia e pelo Núcleo de Axé.

A manifestação ocorre em meio ao debate sobre intolerância religiosa e políticas públicas voltadas à proteção das religiões de matriz africana em Cachoeira, município reconhecido nacionalmente pela importância de seu patrimônio histórico, cultural e religioso.

Siga-nos no Google News, Facebook e Instagram. Participe dos nossos grupos no WhatsApp ou do nosso canal

Postagem Anterior Próxima Postagem

نموذج الاتصال