Professor da UFRB defende mobilização para revisar concessão da Ponte Dom Pedro II durante audiência pública em São Félix

Ele relatou as dificuldades enfrentadas diariamente por moradores que precisam atravessar entre São Félix e Cachoeira

Foto: Adriano Rivera/Diário da Notícia 
A audiência pública realizada nesta terça-feira (25) para discutir o fechamento da Ponte Dom Pedro II, que liga os municípios de São Félix e Cachoeira, foi marcada por manifestações de representantes da sociedade civil, estudantes, autoridades e da comunidade acadêmica. Durante o encontro, o professor Jorge Cardoso, docente da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) destacou a importância da mobilização conjunta das instituições e defendeu a busca de alternativas diante dos problemas relacionados à concessão responsável pela exploração da ponte. A reportagem do Diário da Notícia esteve presente, acompanhado a audiência.

Em sua fala, o professor classificou a audiência como um momento histórico para a Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), para a Câmara Municipal de São Félix e para a população das duas cidades. Segundo ele, a realização de debates públicos permite aproximar as instituições e construir soluções de forma coletiva.

“Um debate qualificado se faz quando as instituições dos municípios abrem os espaços para dialogar também com a representação institucional da UFRB”, afirmou.

Jorge lembrou ainda que, em maio, foi realizada uma audiência pública na Câmara Municipal de Cachoeira, reunindo moradores e representantes das duas cidades para discutir os impactos provocados pela situação da Ponte Dom Pedro II. Para ele, a continuidade das discussões demonstra que a união entre São Félix, Cachoeira e a UFRB é fundamental.

O professor também ressaltou o papel da universidade no território. Segundo ele, a UFRB chegou à região com o propósito de permanecer e contribuir para a formação das novas gerações, o que exige uma relação permanente de diálogo com o poder público e a sociedade.

Questionamento sobre a concessão

Durante sua participação, Jorge levantou um questionamento sobre a possibilidade de encerramento ou revisão do vínculo com a empresa responsável pela concessão da ponte, diante dos problemas enfrentados pela população.

Ele relatou as dificuldades enfrentadas diariamente por moradores que precisam atravessar entre São Félix e Cachoeira, citando inclusive a situação de famílias e trabalhadores que necessitam utilizar a ligação entre os dois municípios durante a noite.

“É possível fazer um distrato para que a concessão de exploração da ponte seja feita por outra empresa e não por essa?”, questionou.

Em resposta, foi esclarecido durante a audiência que a empresa responsável não possui um contrato convencional de prestação de serviços, mas uma concessão. Dessa forma, segundo a explicação apresentada no debate, uma eventual retirada da concessionária dependeria de medidas jurídicas e administrativas específicas.

A discussão apontou para a possibilidade de atuação do Ministério Público, inclusive com a avaliação de medidas destinadas a questionar a concessão e verificar se as obrigações previstas estão sendo cumpridas.

Professor defende auditoria e investigação do cronograma

Outro ponto levantado durante a audiência foi a necessidade de uma auditoria para verificar as razões pelas quais os cronogramas relacionados às intervenções na ponte não vêm sendo cumpridos.

Jorge apoiou a manifestação dos estudantes pela realização de uma auditoria e destacou a importância de identificar responsabilidades e compreender por que os prazos estabelecidos não estão sendo respeitados.

A discussão também chamou atenção para a longa duração dos problemas envolvendo a Ponte Dom Pedro II. Durante a audiência, foi mencionado que a situação não seria recente e que os questionamentos relacionados à estrutura e à concessão vêm se arrastando há anos, atravessando diferentes períodos e empresas.

Para o professor Jorge, a mobilização precisa continuar e envolver as Câmaras Municipais de São Félix e Cachoeira, a UFRB, estudantes, moradores, representantes da sociedade civil e os órgãos responsáveis pela fiscalização.

A audiência pública reforçou, assim, a pressão por respostas concretas sobre o fechamento da Ponte Dom Pedro II, o cumprimento dos cronogramas de intervenção, as condições de funcionamento da ligação entre os municípios e a responsabilidade da concessionária diante dos transtornos provocados à população.

Ao final, a defesa apresentada foi pela continuidade do diálogo institucional e pela adoção de medidas que possam garantir uma solução definitiva para o problema, evitando que moradores, estudantes, trabalhadores e demais usuários continuem enfrentando dificuldades para se deslocar entre São Félix e Cachoeira. Informações do repórter Adriano Rivera, do Diário da Notícia.

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