A manifestação ocorre em um momento simbólico para uma cidade reconhecida nacionalmente por sua importância histórica e cultural.
No Dia Nacional do Patrimônio Histórico, celebrado em 17 de agosto, o cineasta e cinegrafista Roque Araújo voltou a chamar a atenção para as condições de preservação do patrimônio cultural de Cachoeira, no Recôncavo Baiano. A preocupação envolve especialmente a antiga Estação Ferroviária, onde está instalado o Museu do Cinema Roque Araújo, além de outros equipamentos culturais do município.A manifestação ocorre em um momento simbólico para uma cidade reconhecida nacionalmente por sua importância histórica e cultural. Para Roque Araújo, a falta de manutenção adequada pode comprometer imóveis e espaços que fazem parte da memória de Cachoeira e que também possuem potencial turístico e educativo.
A antiga Estação Ferroviária passou por restauração e posteriormente recebeu o acervo do Museu do Cinema. Em publicação do Diário da Notícia de dezembro de 2022, foi registrado que o memorial havia sido instalado no prédio após a transferência do acervo de outro imóvel e que a chegada dos equipamentos à estação contribuiu para movimentar o espaço como ponto cultural e turístico.
O Museu do Cinema Roque Araújo reúne equipamentos e objetos relacionados à história do audiovisual e à evolução tecnológica da produção cinematográfica. Segundo reportagem publicada pelo Diário da Notícia em 2022, o acervo reunia entre 8 mil e 9 mil peças, incluindo câmeras de 16 e 35 milímetros, projetores, equipamentos de edição e dispositivos de áudio de diferentes épocas.
A importância do espaço também está relacionada à própria trajetória de Roque Araújo, que manteve uma longa convivência profissional e pessoal com importantes nomes do cinema brasileiro, entre eles Glauber Rocha. O acervo preservado em Cachoeira representa, portanto, não apenas equipamentos antigos, mas parte da memória da produção audiovisual brasileira.
Preocupação com a antiga estação
A principal preocupação manifestada agora é com a conservação do prédio da antiga Estação Ferroviária. A avaliação apresentada é de que a ausência de intervenções e manutenção pode provocar a deterioração progressiva do imóvel, colocando em risco um equipamento que recebeu investimentos para ser recuperado e posteriormente passou a abrigar atividades culturais.
Em 2025, o próprio Diário da Notícia registrou que o Instituto Roque Araújo de Cinema e Audiovisual utilizava o espaço para o projeto “A Arte Não Envelhece”, voltado a mulheres com 60 anos ou mais. As atividades incluíam oficinas de artes plásticas, dança popular regional e coaching de carreira, mostrando que o local continuava sendo utilizado para ações culturais e educativas.
A situação ganha ainda mais relevância porque, em 2022, durante o processo de transferência do Museu do Cinema, a então prefeita Eliana Gonzaga afirmou que a Prefeitura daria apoio para a permanência do Instituto Roque Araújo em Cachoeira e que seria disponibilizado um espaço adequado para receber o acervo (veja aqui).
Acervo considerado patrimônio da memória do cinema
Ao longo de mais de seis décadas dedicadas ao cinema, Roque Araújo acumulou equipamentos, documentos e objetos que ajudam a contar a evolução tecnológica da produção cinematográfica.
O material apresentado pelo Museu destaca a existência de equipamentos históricos e a relação de Roque com grandes nomes do cinema brasileiro. Entre os objetos associados ao acervo estão câmeras, projetores, aparelhos de edição, equipamentos de som e outros instrumentos utilizados em diferentes períodos da história do audiovisual.
A preservação desse conjunto é considerada especialmente significativa para Cachoeira, cidade que também possui relação com a formação audiovisual e com atividades acadêmicas ligadas ao cinema, vide o curso na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB).
Cidade histórica enfrenta desafio de preservar seus equipamentos culturais
A discussão sobre a antiga Estação Ferroviária se soma a outras preocupações relacionadas à conservação de espaços culturais do município.
O Cine Theatro Cachoeirano, por exemplo, passou por processo de restauração e também depende de manutenção permanente para preservar suas instalações. A preocupação levantada por defensores do patrimônio é que imóveis históricos, depois de restaurados, necessitam de políticas contínuas de conservação para evitar que voltem a apresentar problemas estruturais.
Para Roque Araújo, preservar esses espaços significa garantir que as próximas gerações tenham acesso à história de Cachoeira e à memória cultural brasileira.
A cobrança também coloca em debate a responsabilidade do poder público na manutenção dos equipamentos culturais que estão sob sua gestão. Em uma cidade de forte vocação histórica e turística, a conservação do patrimônio não representa apenas uma obrigação administrativa, mas também uma forma de fortalecer a identidade local e movimentar a economia ligada ao turismo cultural.
Um alerta no Dia do Patrimônio Histórico
O alerta feito por Roque Araújo no Dia Nacional do Patrimônio Histórico reforça a necessidade de atenção permanente aos imóveis e acervos culturais de Cachoeira.
A data de 17 de agosto é dedicada à valorização e preservação do patrimônio histórico brasileiro e homenageia o nascimento de Rodrigo Melo Franco de Andrade, primeiro presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
Em Cachoeira, onde a história está presente em igrejas, casarões, monumentos, equipamentos culturais e espaços ligados à memória do Brasil, o debate sobre conservação ganha dimensão ainda maior.
A manifestação do cineasta representa, portanto, um chamado para que o patrimônio cultural seja tratado como política permanente de Estado, com manutenção, fiscalização e investimentos capazes de evitar que imóveis restaurados e acervos históricos voltem a sofrer com a deterioração.
A Prefeitura de Cachoeira, atualmente administrada por Eliana Gonzaga, segue responsável pela gestão municipal dos equipamentos públicos. A administração municipal não foi localizada, até o momento, para apresentar informações específicas sobre eventuais obras, serviços de manutenção ou medidas previstas para a antiga Estação Ferroviária e o Museu do Cinema Roque Araújo.
O alerta permanece: preservar a memória de Cachoeira é também preservar parte da história cultural da Bahia e do Brasil.
Siga-nos no Google News, Facebook e Instagram. Participe dos nossos grupos no WhatsApp ou do nosso canal
