População das localidades como Deus Menino e Fontinha protesta contra falta d'água
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| Foto: Reprodução |
A moradora Maria, residente no Morro Deus Menino, foi uma das primeiras a relatar o problema. "Já tem cinco dias que não tem um pingo de água", afirmou ela, destacando que a situação se repete em toda a vizinhança. A queixa não é isolada. Na Rua da Fontinha e em outras localidades do município a história é a mesma: reservatórios vazios, cidadãos impedidos de realizar atividades básicas como higiene pessoal, cozinha e limpeza, e a sensação de estar à mercê de um serviço público precário.
"Todo mundo sem água lá... todo mundo", completou outra moradora, reforçando que o problema atinge de forma indiscriminada toda a comunidade, independentemente de endereço ou condição social. A falta d'água, segundo os relatos, é generalizada no Morro e em localidades periféricas do município, onde a infraestrutura de saneamento já historicamente defasada parece ter entrado em colapso nos últimos dias.
Cobrança integral e ameaça de corte
O aspecto que mais indigna os moradores, no entanto, vai além da simples ausência de líquido nas tubulações. Trata-se da cobrança indevida e da dupla punição imposta pela concessionária. Questionada sobre se o valor da fatura chega reduzido em função da interrupção do serviço, Maria foi categórica: "Vem reduzido nada".
A situação chega ao absurdo de a Embasa, segundo os denunciantes, ameaçar suspender o fornecimento dos moradores que se recusam a pagar por algo que não estão recebendo. "Quem quiser que não pague, pra ver se não corta", disse um dos entrevistados, em tom de deboche e indignação. Outro morador completou: "Aí enxerga logo pra cortar, né!? Tá sem água, o povo de São Félix reclamando."
Ruas atingidas e o silêncio da concessionária
A reportagem, conduzida pelo repórter Adriano Rivera, do Diário da Notícia, percorreu as ruas do município e constatou o clima de revolta. "Aqui no Morro Deus Menino e Fontinha, dentre outras localidades do município, o pessoal reclamando sobre a questão da falta de água", narrou o jornalista, confirmando que o problema é estrutural e atinge múltiplos pontos da cidade.
Até o momento, a Embasa não se pronunciou oficialmente sobre as causas do corte nem sobre o prazo para regularização do abastecimento. A ausência de comunicação da concessionária agrava ainda mais o cenário de incerteza vivido pelos moradores, que se veem obrigados a recorrer a alternativas precárias — como o armazenamento em pequenos recipientes ou a compra de água mineral — para sobreviver ao dia a dia.
Repercussão e próximos passos
O caso de São Félix insere-se em um padrão recorrente de reclamações contra a Embasa em municípios do interior baiano, onde a população frequentemente denuncia intermitência no abastecimento, baixa pressão, vazamentos não reparados e, principalmente, a cobrança de tarifas plenas em períodos de racionamento não comunicado.
Organizações de defesa do consumidor e o Ministério Público da Bahia já têm histórico de ações civis públicas contra a concessionária por práticas semelhantes. Moradores de São Félix sinalizam a possibilidade de buscar os órgãos de fiscalização caso a situação não seja normalizada nos próximos dias.
Enquanto isso, cinco dias se passam. As torneiras permanecem secas. E os recibos, inexoravelmente, continuam chegando.
Reportagem baseada em relatos de moradores e cobertura do repórter Adriano Rivera, do Diário da Notícia.
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