A medida ocorre em meio a uma disputa envolvendo o uso do prédio, que anteriormente era ocupado pelas Mulheres de Axé
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| Orlando, Secretário de Igualdade Racial de Cachoeira | Foto: Adriano Rivera/Diário da Notícia |
Segundo informações apuradas pelo Diário da Notícia, a Prefeitura realizou a desocupação do imóvel e, posteriormente, substituiu os cadeados e lacres existentes. Um novo prazo teria sido concedido para a retirada dos materiais que ainda pertencem às Mulheres de Axé.
O repórter Adriano Rivera esteve no local e conversou com o secretário municipal de Reparação e Igualdade Racial, Orlando, que confirmou que a pasta já está de posse das chaves do imóvel.
De acordo com o secretário, o espaço deverá ser utilizado para reuniões, cursos, debates e outras atividades voltadas à população de Cachoeira, com atenção especial às ações relacionadas à população negra.
“Foi dado um prazo de 30 dias para que fossem retirados os materiais e as coisas da casa. Agora, a Secretaria de Reparação e Igualdade Racial já está ocupando o novo espaço”, explicou Orlando.
O secretário destacou ainda que, futuramente, a Casa Municipal de Igualdade Racial deverá funcionar de forma aberta à população, com a realização de cursos e atividades.
Apesar da ocupação, o imóvel permanece parcialmente fechado. Segundo Orlando, ainda existem materiais pertencentes às Mulheres de Axé dentro do prédio. Por esse motivo, a Prefeitura afirma que os bens não estão sendo movimentados e que o espaço continua sem acesso público.
Guarda Municipal permanece no local
Durante a movimentação, também houve a presença da Guarda Municipal no imóvel. Questionado sobre a atuação dos agentes, o secretário afirmou que a presença da Guarda faz parte do trabalho de proteção dos espaços públicos municipais.
Segundo ele, não se trata especificamente de uma medida para impedir o acesso das Mulheres de Axé, mas de uma atuação relacionada à segurança e à preservação do patrimônio público.
Com a troca dos cadeados, o acesso ao imóvel passou a ficar sob responsabilidade da Secretaria Municipal de Reparação e Igualdade Racial.
Mulheres de Axé acionam a Justiça
Enquanto a Prefeitura afirma que o espaço passará a funcionar como Casa Municipal de Igualdade Racial, representantes das Mulheres de Axé contestam a medida.
Segundo informações repassadas ao Diário da Notícia, Mãe Zelita informou que pretende recorrer novamente à Justiça e que também teria sido registrado um boletim de ocorrência relacionado ao caso.
A disputa, portanto, ainda não está encerrada e poderá ter novos desdobramentos judiciais.
No momento, os materiais das Mulheres de Axé permanecem dentro do imóvel, que está fechado. A Prefeitura afirma que os bens serão preservados e que ninguém está autorizado a mexer no conteúdo deixado no local.
Próximos capítulos
A situação coloca em lados opostos duas questões relacionadas à política de igualdade racial no município: de um lado, a Prefeitura anuncia a criação de uma Casa Municipal de Igualdade Racial para desenvolver atividades voltadas à população negra; de outro, as Mulheres de Axé reivindicam a permanência e o respeito ao espaço que vinha sendo utilizado pela entidade.
A definição sobre quem terá efetivamente a posse e o uso do prédio poderá depender dos próximos passos na Justiça.
Enquanto isso, a Prefeitura mantém o imóvel fechado e sob controle da Secretaria de Reparação e Igualdade Racial, enquanto os materiais das Mulheres de Axé continuam no interior do prédio.
O Diário da Notícia seguirá acompanhando o caso e os possíveis desdobramentos judiciais e administrativos envolvendo o espaço.
Com informações do repórter Adriano Rivera, do Diário da Notícia.
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