Documento obtido pela revista piauí indica que Daniel Vorcaro transferiu mais US$ 1,6 milhão para o projeto “Dark Horse” em setembro de 2025, elevando os repasses identificados para US$ 12,3 milhões.
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| Flávio ao lado de Mario Frias (à esq.), produtor do filme, Jim Caviezel, ator que interpreta Jair Bolsonaro, e Carlos Bolsonaro - Crédito: Reprodução |
O pagamento ocorreu oito dias depois de uma mensagem enviada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a Vorcaro, na qual cobrava parcelas que estavam atrasadas. O novo dado contraria a declaração dada anteriormente pelo senador, que havia afirmado, em entrevista à GloboNews, que o último pagamento feito pelo banqueiro havia ocorrido em maio de 2025.
Com a nova transferência identificada pelo Coaf, os valores atribuídos a Vorcaro para o financiamento de Dark Horse passaram de aproximadamente US$ 10,6 milhões para US$ 12,3 milhões. Na cotação da época, o montante representava mais de R$ 65 milhões.
Mensagens colocam Flávio no centro das negociações
O caso ganhou repercussão depois que mensagens e áudios revelaram a participação de Flávio Bolsonaro nas negociações para obtenção de recursos destinados ao filme. Em setembro de 2025, o senador teria procurado Vorcaro para cobrar os valores necessários à continuidade da produção.
Inicialmente, Flávio minimizou a relação financeira com o banqueiro. Posteriormente, após a divulgação de mensagens, reconheceu que havia solicitado recursos para o projeto, mas afirmou que sua atuação estava relacionada à captação de investidores e à autorização para utilização da imagem de seu pai.
A descoberta do novo pagamento aumenta as dúvidas sobre a dimensão e a duração da relação financeira entre o senador e Vorcaro.
Investigações sobre a origem e o destino dos recursos
O financiamento de Dark Horse passou a ser alvo de diferentes investigações. A Polícia Federal apura os repasses feitos por Vorcaro e busca esclarecer se os recursos foram efetivamente utilizados na produção cinematográfica ou se parte do dinheiro teve outra destinação.
A própria prestação de contas do filme também é alvo de questionamentos. Reportagem da Folha de S.Paulo apontou a ausência de uma prestação de contas detalhada e de documentos capazes de comprovar integralmente os gastos declarados pela produção.
Além disso, a produtora responsável pelo longa também aparece em outras apurações envolvendo recursos públicos e contratos com organizações sociais. A Controladoria-Geral da União identificou problemas em projetos financiados por emendas parlamentares destinados a entidades ligadas à produtora.
Novo capítulo em meio à corrida presidencial
A revelação ocorre em um momento politicamente sensível, já que Flávio Bolsonaro é candidato à Presidência da República. O caso envolvendo o financiamento de Dark Horse passou a fazer parte do debate eleitoral e vem sendo utilizado por adversários para questionar a transparência das relações financeiras do senador.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, também afirmou que não tinha conhecimento do novo repasse e declarou que cabe a Flávio Bolsonaro prestar esclarecimentos sobre a transferência.
O novo relatório do Coaf, portanto, acrescenta mais uma peça ao quebra-cabeça envolvendo Flávio Bolsonaro, Daniel Vorcaro e o financiamento de Dark Horse. Além de elevar o valor conhecido dos repasses, o documento coloca em xeque a afirmação de que os pagamentos haviam sido encerrados em maio de 2025.
As investigações ainda deverão esclarecer a origem, a destinação e a utilização efetiva de todos os recursos envolvidos no projeto.
Leia a reportagem original da revista piauí aqui.
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