Disputa municipal em 2020 terminou com vitória de Colbert Martins no segundo turno, depois de Zé Neto liderar a primeira etapa; cenário é citado como referência para analisar a disputa presidencial de 2026.
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| Fotos: Divulgação | Arte: Alice Rabello/Metrópoles |
O episódio de Feira de Santana é citado como um exemplo de que a vantagem conquistada no primeiro turno não determina, por si só, o resultado da segunda etapa. Na eleição municipal de 2020, o então deputado federal Zé Neto (PT) terminou a primeira votação à frente de Colbert Martins (MDB), que buscava a reeleição.
Naquele primeiro turno, Zé Neto recebeu 119.862 votos, equivalentes a 41,55% dos votos válidos, enquanto Colbert Martins obteve 110.146 votos, ou 38,18%.
A diferença colocava o candidato petista na liderança da disputa e levou os dois para o segundo turno. No entanto, o resultado final foi diferente do observado na primeira etapa.
Colbert virou a disputa no segundo turno
No segundo turno, realizado em 29 de novembro de 2020, Colbert Martins conseguiu reverter a vantagem de Zé Neto e foi reeleito prefeito de Feira de Santana.
Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Colbert recebeu 164.831 votos, correspondentes a 54,42% dos votos válidos, enquanto Zé Neto terminou com 138.073 votos, ou 45,58%.
A diferença entre os dois foi de 26.758 votos.
O resultado demonstrou, naquele contexto municipal, que a liderança no primeiro turno não garantia a vitória no segundo. A mudança ocorreu em uma disputa que envolveu apenas dois candidatos na etapa decisiva.
Cenário presidencial de 2026
Nas Eleições Gerais de 2026, o segundo turno presidencial será disputado por Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). De acordo com o TSE, Flávio terminou o primeiro turno com 56.104.268 votos (47,03%), enquanto Lula recebeu 53.876.617 votos (45,16%).
A diferença entre os dois candidatos foi de aproximadamente 2,23 milhões de votos.
O segundo turno está marcado para 25 de outubro, conforme o calendário eleitoral do TSE.
A eleição de Feira de Santana, portanto, pode ser utilizada como referência histórica para mostrar que uma vantagem no primeiro turno pode ser modificada durante uma segunda etapa eleitoral. Isso, entretanto, não significa que o resultado de uma eleição municipal possa ser usado para prever o desfecho de uma eleição presidencial.
Abstenção também entra no debate
Outro fator que chama atenção no primeiro turno de 2026 é o número de eleitores que não compareceram às urnas.
Segundo os dados divulgados pela Justiça Eleitoral, 33,4 milhões de eleitores não votaram, o equivalente a 21,08% do eleitorado apto. O percentual representa o maior índice de abstenção registrado em um primeiro turno de eleições gerais desde 1998.
O eleitorado apto em 2026 chegou a 158.765.543 pessoas em todo o país.
Além das abstenções, houve 2.300.781 votos em branco (1,84%) e 3.674.149 votos nulos (2,93%) na disputa presidencial.
Esses números representam milhões de eleitores que não participaram da definição dos dois candidatos que avançaram para a segunda etapa.
Brancos e nulos não são transferidos para nenhum candidato
É importante destacar que votos brancos e nulos não são contabilizados como votos válidos e não são transferidos para nenhum candidato. O TSE esclarece que essas opções não interferem diretamente na definição do vencedor.
Por isso, a disputa do segundo turno começa com uma nova etapa eleitoral: cada candidato precisa buscar votos entre os eleitores que participaram do primeiro turno e também mobilizar aqueles que não compareceram às urnas.
No caso de 2026, a diferença registrada entre Lula e Flávio Bolsonaro no primeiro turno, somada ao volume de abstenções e votos brancos e nulos, mostra a dimensão do eleitorado que não definiu um dos dois candidatos na primeira etapa.
Um precedente, mas não uma previsão
A história de Feira de Santana em 2020 pode servir como elemento de comparação para compreender a dinâmica de uma eleição em dois turnos. Naquele ano, Zé Neto terminou a primeira etapa na liderança, mas Colbert Martins conseguiu virar a disputa e vencer no segundo turno.
No cenário presidencial de 2026, contudo, o resultado ainda está em aberto e dependerá da votação do segundo turno, marcado para 25 de outubro.
Assim como ocorreu em Feira de Santana, a segunda etapa será uma nova disputa, com apenas dois candidatos e com a necessidade de conquistar a maioria dos votos válidos.
Informações do radiojornalista Rubem Junior, do Diário da Notícia.
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