Copa do Mundo atrapalha comércio e indústria no 2º trimestre de 2014

Foto: Reprodução
A Copa do Mundo no Brasil, realizada entre junho e julho, teve efeitos negativos em diversos balanços de companhias abertas no segundo trimestre. Comércio, serviços e indústria sentiram o impacto da redução do número de dias úteis e das atenções voltadas ao Mundial. Por outro lado, setores específicos, como o de bebidas e alimentos, comemoraram as altas nas vendas, assim como o varejo de eletrônicos.As vendas da Natura no Brasil entre abril e junho ficaram abaixo do esperado pela fabricante de cosméticos, segundo afirmou o vice-presidente de Finanças, Jurídico e de Relações com Investidores da Natura, Roberto Pedote, em teleconferência com jornalistas sobre o balanço. O executivo considerou que o desempenho foi prejudicado pelo menor número de dias úteis no período na comparação com o ano anterior. A receita líquida da Natura no Brasil, excluindo as operações internacionais, alcançou R$ 1,476 bilhão de abril a junho, crescimento de 1,8% na comparação com os mesmos meses de 2013. No varejo de vestuário, as vendas no conceito mesmas lojas (abertas há mais de um ano) da rede Hering Store, da Cia. Hering, apresentaram retração de 9,9% no segundo trimestre deste ano. O ritmo de crescimento representou uma queda de 9,1 pontos percentuais ante o mesmo período de 2013, quando as vendas mesmas lojas caíram 0,8%. Outro setor que sofreu com o evento esportivo foi o de construção. As vendas líquidas da PDG somaram R$ 383 milhões no segundo trimestre, queda 20,2% em relação a um ano antes. Já as vendas contratadas da EZtec foram de R$ 194,159 milhões, recuo de 47% ante o mesmo período do ano passado. "Além do efeito da Copa do Mundo, a confiança do consumidor vem se reduzindo diante do cenário macroeconômico desafiador, e muitas construtoras vêm sofrendo com aumentos de custos e o nível de endividamento", comenta Fabio Galdino, analista da Guide Investimentos. A MRV, no entanto, surpreendeu os analistas ao reportar lucro de R$ 401 milhões no segundo trimestre, crescimento de 184,6% na comparação ao registrado no mesmo período do ano passado. Foi o maior lucro registrado pela companhia em um único trimestre. A construtora se beneficia da baixa concorrência no segmento econômico, impulsionado pelo programa do governo federal Minha Casa, Minha Vida. 

Estadão/Eulina Oliveira
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