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A Copa do Mundo no Brasil, realizada entre junho e julho, teve efeitos
negativos em diversos balanços de companhias abertas no segundo
trimestre. Comércio, serviços e indústria sentiram o impacto da redução
do número de dias úteis e das atenções voltadas ao Mundial. Por outro
lado, setores específicos, como o de bebidas e alimentos, comemoraram as
altas nas vendas, assim como o varejo de eletrônicos.As vendas da
Natura no Brasil entre abril e junho ficaram abaixo do esperado pela
fabricante de cosméticos, segundo afirmou o vice-presidente de Finanças,
Jurídico e de Relações com Investidores da Natura, Roberto Pedote, em
teleconferência com jornalistas sobre o balanço. O executivo considerou
que o desempenho foi prejudicado pelo menor número de dias úteis no
período na comparação com o ano anterior. A receita líquida da Natura no
Brasil, excluindo as operações internacionais, alcançou R$ 1,476 bilhão
de abril a junho, crescimento de 1,8% na comparação com os mesmos meses
de 2013. No varejo de vestuário, as vendas no conceito mesmas lojas
(abertas há mais de um ano) da rede Hering Store, da Cia. Hering,
apresentaram retração de 9,9% no segundo trimestre deste ano. O ritmo de
crescimento representou uma queda de 9,1 pontos percentuais ante o
mesmo período de 2013, quando as vendas mesmas lojas caíram 0,8%. Outro
setor que sofreu com o evento esportivo foi o de construção. As vendas
líquidas da PDG somaram R$ 383 milhões no segundo trimestre, queda 20,2%
em relação a um ano antes. Já as vendas contratadas da EZtec foram de
R$ 194,159 milhões, recuo de 47% ante o mesmo período do ano
passado. "Além do efeito da Copa do Mundo, a confiança do consumidor vem
se reduzindo diante do cenário macroeconômico desafiador, e muitas
construtoras vêm sofrendo com aumentos de custos e o nível de
endividamento", comenta Fabio Galdino, analista da Guide
Investimentos. A MRV, no entanto, surpreendeu os analistas ao reportar
lucro de R$ 401 milhões no segundo trimestre, crescimento de 184,6% na
comparação ao registrado no mesmo período do ano passado. Foi o maior
lucro registrado pela companhia em um único trimestre. A construtora se
beneficia da baixa concorrência no segmento econômico, impulsionado pelo
programa do governo federal Minha Casa, Minha Vida.
Estadão/Eulina Oliveira