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A Confederação Nacional dos Municípios (CNM) divulgou, nesta segunda-feira (5), que os representantes de pelo menos 1.234 gestores municipais aprovam um fechamento nacional por 15 dias das atividades como alternativa para frear o avanço da pandemia da Covid-19. A 15ª edição da pesquisa semanal, realizada entre 28 de junho e 2 de julho, obteve respostas de 3.079 gestores locais. 

Quase 53% deles se dizem favoráveis a um lockdown nacional para o enfrentamento da pandemia e a diminuição no número de óbitos. De acordo com a CNM, pelo menos 1.234 gestores municipais aprovam um fechamento nacional por 15 dias. Outros 350 defendem tempo maior do que esse, de 21 ou 30 dias. 

O presidente da entidade municipalista, Paulo Ziulkoski acredita que o lockdown é uma forma de evitar o onda crescente de mortes pela Covid-19. “Entende-se que é o momento, no mês de agosto, de se decretar e cumprir um lockdown como fizeram outros países que tiveram sucesso e alguns Municípios do Brasil. Para poder interromper e colocar o vírus no chão, o ideal cientificamente é 21 dias, mas com 15 já seria uma hipótese real. Fecharíamos os aeroportos e deixaríamos só os serviços essenciais”, disse.

O presidente apresentou estudo da CNM com a projeção de vacinação no país se houvesse uma maior distribuição de imunizantes por parte do governo. Segundo os dados da entidade, toda esta população estaria vacinada com a dose 1 em maio e com o esquema vacinal completo (D1+D2) em setembro de 2021, mantendo-se a aplicação diária de 1.393.415 doses, dia com maior aplicação de doses no Brasil de acordo com base do Ministério da Saúde.

De acordo com a CNM, medidas de isolamento social, como fechamento de serviços não essenciais e outras ações já eram adotadas por 76% dos Municípios, na semana da pesquisa. Esse percentual vem se mantendo nessa faixa desde a primeira edição da pesquisa, em março deste ano. Sobre a ocupação dos leitos, o levantamento revelou que das Unidades de Terapia Intensiva (UTI) nesta semana, 21,5% dos Municípios estavam com a capacidade acima de 95% ocupadas, ou seja, mais de 660 cidades; acima de 90% tinham 17,8%. Ziulkoski destacou que 13% dos pesquisados estão com risco de faltar o chamado “kit intubação”. 

Tal cenário, conforme aponta o presidente da Confederação, é muito preocupante, já foi mais agudo, mas continua forte. Quando o assunto é o número de mortes, Ziulkoski alertou: “estamos nos acostumando e achando que estamos melhorando, mas se não tivermos cuidado, voltaremos a ter a rede de saúde colapsada”. Desde julho de 2020, os leitos UTI Covid estão cheios, só o gasto federal foi de R$ 8,55 bilhões. Ainda de acordo com o levantamento, mais de 21% dos Municípios afirmam aumento do número de pessoas infectadas e a manutenção de novos infectados em níveis altos pela quarta vez consecutiva. 

Os maiores aumentos – 23% e 22% – estão concentrados em dois polos – Municípios grandes e pequenos. E mesmo com a redução da quantidade geral de mortes, em 16,1% dessas localidades ocorreu aumento. A CNM divulgou ainda que mais de ¼ dos gestores afirmaram falta de vacinas. Faltou vacinas em 27,2%% dos Municípios participantes do levantamento. 

Enquanto o imunizante para segunda dose esteve em falta em 13,1%, mais de 96,7% dos gestores afirmam ter faltado vacinas para aplicação da primeira dose. Segundo a pesquisa, 97,4% dos Municípios iniciaram a vacinação dos grupos abaixo de 60 anos sem comorbidades, e em 2,2% ainda não se iniciou.

Nesta semana, 29,9% dos Municípios pesquisados já estão vacinando a faixa entre 45 a 49 anos; em 29,2% das cidades analisadas a imunização está entre 40 e 44 anos; 6,2% entre 35 e 39 anos; e abaixo dessa idade em cerca de 6%. Ziulkoski afirmou esperar que os dados sejam utilizados para auxiliar os Municípios brasileiros e a União com ações concretas para mitigar os problemas nos sistemas de saúde de todo o país. Os dados da pesquisa com a indicação de um pedido de lockdown nacional serão entregues pela entidade ao Palácio do Planalto e ao presidente da Câmara dos Deputados ainda nesta segunda.



Fonte: BN

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