Sem política pública adequada, Cachoeira convive com epidemia silenciosa de transtornos mentais, aponta artigo

No texto, o autor chama atenção para dados alarmantes que, segundo ele, já eram conhecidos há mais de uma década

Foto: Reprodução | Iphan
Um artigo assinado pelo ex-provedor da Santa Casa de Misericórdia de Cachoeira, Lu Cachoeira, reacendeu, no mês de janeiro — período dedicado nacionalmente à conscientização sobre a saúde mental — um importante debate sobre a situação epidemiológica das doenças mentais no município e em toda a região do Recôncavo Baiano.

No texto, o autor chama atenção para dados alarmantes que, segundo ele, já eram conhecidos há mais de uma década. À época, estimava-se que cerca de 7 mil pessoas, de uma população aproximada de 30 mil habitantes de Cachoeira, haviam sido diagnosticadas com algum transtorno mental. O ex-provedor relembra ainda um pronunciamento feito na Câmara de Vereadores por um parlamentar conhecido como Teta, que revelou a existência de aproximadamente 5 mil pacientes cadastrados no Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) do município.

Apesar desses números expressivos, o artigo aponta que, ao longo dos anos, não foram adotadas iniciativas estruturantes capazes de oferecer atenção adequada à população afetada. Para o autor, o mínimo esperado seria a implantação de um CAPS de modelo AD (Álcool e Drogas), com maior complexidade e suporte técnico, capaz de atender de forma efetiva um perfil epidemiológico considerado endêmico.

A preocupação se amplia quando se observa que municípios vizinhos de Cachoeira apresentam indicadores semelhantes. O cenário, que já era grave antes da pandemia da Covid-19, tende a ter se agravado consideravelmente nos últimos anos, segundo o articulista.

Entre os questionamentos levantados estão a quantidade de profissionais especializados em psiquiatria e psicologia que integram as equipes multidisciplinares da rede ambulatorial do Sistema Único de Saúde (SUS) em Cachoeira, bem como a existência — ou não — de um Plano Municipal de Saúde que contemple ações específicas para a área de saúde mental.

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O autor também indaga se há alguma perspectiva concreta para a instalação de um CAPS de maior complexidade, que possa atender os nove municípios que compõem a microrregião de saúde vinculada ao Núcleo Regional com sede em Cruz das Almas.

No artigo, o ex-provedor faz um alerta sobre as consequências sociais e econômicas da ausência de políticas públicas estruturantes. Segundo ele, sem ações efetivas, a População Economicamente Ativa (PEA) de Cachoeira e dos municípios circunvizinhos corre o risco de ser progressivamente excluída do mercado formal de trabalho, aumentando a dependência de benefícios assistenciais da Previdência Social.

A reflexão se estende ao futuro do município, que, apesar de seu potencial histórico, cultural e turístico, pode ter seu desenvolvimento sustentável comprometido. Para o autor, a economia criativa e o turismo poderiam ser vetores de crescimento, caso houvesse investimentos consistentes em políticas sociais e de saúde.

Em tom crítico, o texto questiona o que o autor define como uma “loucura coletiva” diante da ausência de políticas públicas capazes de enfrentar um problema tão sensível. Como inspiração, ele cita a trajetória da médica alagoana Doutora Nise da Silveira, referência mundial na psiquiatria humanizada, que enfrentou perseguições por desafiar modelos excludentes de tratamento mental.

O artigo também lembra o legado do médico baiano Juliano Moreira, outro nome fundamental na história da psiquiatria brasileira, reforçando a necessidade de um olhar mais humano, científico e comprometido com a dignidade das pessoas em sofrimento psíquico.

Ao final, o ex-provedor reafirma a importância histórica de Cachoeira para o Recôncavo da Bahia e convoca a sociedade e o poder público à reflexão e à ação. O texto encerra com uma homenagem à Doutora Nise da Silveira, símbolo da luta por uma saúde mental mais justa e inclusiva.

Leia o artigo na íntegra:

No mês de janeiro, a DOENÇA MENTAL é chamada atenção como um dos PERFIS EPIDEMIOLÓGICOS acentuado no Brasil.

Há mais de uma década os indicadores de pessoas com diagnóstico de DOENÇA MENTAL no município de CACHOEIRA, BAHIA, BRASIL, estimava-se que 7 mil pessoas da sua população (30 mil habitantes), foram diagnosticada com doença mental, lembro-me que um dos vereadores chamado por TETA, expôs na Câmara de Vereadores, que no CAPS do Município de Cachoeira, tinha cadastrado 5 mil pacientes, porém, nenhuma iniciativa de atenção especial foi adotada pelas gestões do SUS.

No mínimo ser implantado um CAPS de modelo AD, ou seja, um Centro de Assistência Psico Social com melhor suporte para atender ao elevado indicador com perfil endêmico.

Ao ser observado os indicadores de municípios circunvizinhos de Cachoeira, o perfil é semelhante.

Se antes da Pandemia COVID esse terrível quadro Epidemiológico era grande, imaginemos o quanto cresceu o número de pessoas com perfil de doenças mentais?

Quantos profissionais com especialidades em psiquiatria e psicologia compõe alguma equipe multidisciplinar no SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE ambulatorial da Rede SUS de Cachoeira?

Existe algum PLANO de SAÚDE MUNICIPAL ou alguma perspectiva de instalação do CAPS mais complexo estabelecido para atender os 9 municípios que compõem essa micro região SUS atendidos pelo Núcleo de Saúde com sede em Cruz das Almas?

Se nada for feito para minimizar esse terrível quadro epidemiológico, a população ativa econômica (PEA), de Cachoeira e demais municípios estará completamente comprometida, marginalizada do acesso ao emprego formal, a tendência será o ingresso no benefício da remuneração assistencial social da previdência social.

Que triste realidade está sinalizada para o presente e futuro de Cachoeira e seus circunvizinhos municípios com tantas possibilidades para se promover o desenvolvimento sustentável com potencialidades da economia criativa com atraentes produtos turísticos?

Que tanta "loucura" é essa, com ausência de políticas públicas estruturantes para atenuar a desvairada loucura?

A história exemplar da Doutora NICE da SILVEIRA, alagoana nordestina muito desvairada médica estimula profunda reflexão sobre a caótica perspectiva da "heróica" CACHOEIRA e municípios circunvizinhos.

Doutora NICE da SILVEIRA um exemplo genial de revolucionária médica que foi perseguida pelo reacionarismo da "elite ignorante do Brasil".

NICE SILVEIRA me fez lembrar o baiano JULIANO MOREIRA.

SALVE CACHOEIRA PARTE IMPORTANTE DO RECÔNCAVO DA BAHIA, BRASIL.

VIVA A NORDESTINA DOUTORA NICE SILVEIRA!

ProvocAÇÃO LuCachoeira

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