Supremo Tribunal Federal condena irmãos Brazão a 76 anos pela morte de Marielle Franco

A acusação sustentou que os condenados integravam uma organização criminosa com atuação na Zona Oeste do Rio de Janeiro, ligada à exploração de territórios por milícias

Fotos: Agência Câmara e Alerj
A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou nesta quarta-feira (25) os irmãos Domingos Brazão e Francisco Brazão, conhecido como Chiquinho, pelo assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ) e do motorista Anderson Gomes, crime ocorrido em março de 2018, no Rio de Janeiro. As penas fixadas para ambos somam 76 anos e 3 meses de prisão.

Ex-conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ), Domingos Brazão foi apontado como um dos mandantes do crime. De acordo com a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), ele teria ordenado a execução de Marielle em razão de interesses econômicos relacionados à regularização fundiária em áreas da capital fluminense dominadas por milícias.

Seu irmão, Francisco Brazão, o Chiquinho, era vereador do Rio de Janeiro à época do atentado. Segundo a PGR, os dois atuaram em conjunto na decisão de eliminar a parlamentar. Marielle, que também exercia mandato na Câmara Municipal, mantinha embates políticos com os irmãos em torno de projetos ligados à regularização urbana e ao uso e ocupação do solo.

A acusação sustentou que os condenados integravam uma organização criminosa com atuação na Zona Oeste do Rio de Janeiro, ligada à exploração de territórios por milícias, à grilagem de terras e à formação de currais eleitorais. O Ministério Público afirmou que o crime teve motivação política e econômica, diante da atuação firme da vereadora em pautas relacionadas a direitos humanos, fiscalização do poder público e enfrentamento à expansão de grupos paramilitares.

O assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes teve repercussão internacional e se tornou símbolo da luta contra a violência política no Brasil. A decisão do STF representa um desdobramento importante no caso, que há anos mobiliza investigações e cobranças por responsabilização dos envolvidos.

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