De acordo com o levantamento, a relação entre aprovação e resultado eleitoral aparece de forma consistente ao longo das últimas décadas
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| Imagem criada pelo Diário da Notícia através de IA |
De acordo com o levantamento, ao qual o Diário da Notícia teve acesso, realizado a partir de dados analisados pelo pesquisador Tiago Garrido, ao qual o Diário da Notícia teve acesso, a relação entre aprovação e resultado eleitoral aparece de forma consistente ao longo das últimas décadas.
Aprovação alta quase garante vitória
Entre os governadores que disputaram reeleição no período analisado, aqueles com 46% ou mais de avaliação “ótimo” ou “bom” praticamente sempre venceram. Alguns exemplos citados são:
- Sérgio Cabral, que tinha cerca de 60% de aprovação e foi reeleito no Rio de Janeiro em 2010.
- Aécio Neves, com mais de 65% de aprovação em Minas Gerais, reeleito em 2006.
- Eduardo Campos, que ultrapassava 70% de avaliação positiva e venceu novamente em Pernambuco em 2010.
Segundo os dados, não há registro de derrota nessa faixa de aprovação entre os casos analisados.
Baixa aprovação costuma levar à derrota
No outro extremo, governadores com 33% ou menos de avaliação positiva tendem a enfrentar dificuldades para se manter no cargo. Entre os exemplos citados no levantamento estão:
- Miguel Arraes, derrotado em Pernambuco em 1998.
- Yeda Crusius, que perdeu a reeleição no Rio Grande do Sul em 2010.
- José Ivo Sartori, derrotado em 2018 no mesmo estado.
- Fernando Pimentel, que também não conseguiu se reeleger em Minas Gerais em 2018.
De acordo com o estudo, 15 disputas analisadas confirmam essa tendência de derrota em cenários de baixa aprovação.
Faixa intermediária gera incerteza
Entre 34% e 45% de aprovação, os resultados eleitorais se tornam menos previsíveis. Nesse intervalo, outros fatores — como alianças políticas, cenário econômico e desempenho da oposição — passam a influenciar mais o resultado.
Alguns casos ilustram essa zona de incerteza:
- Esperidião Amin, com cerca de 45% de aprovação, acabou derrotado em Santa Catarina em 2002.
- Teotônio Vilela, com avaliação semelhante, conseguiu se reeleger em Alagoas em 2010.
- Wellington Dias, com cerca de 34%, foi reeleito no Piauí em 2018.
Padrão também aparece nas eleições presidenciais
Segundo a análise, o mesmo comportamento pode ser observado nas disputas presidenciais. Exemplos incluem:
- Fernando Henrique Cardoso, reeleito em 1998 com cerca de 43% de avaliação positiva.
- Luiz Inácio Lula da Silva, que tinha cerca de 47% de aprovação e venceu a reeleição em 2006.
- Dilma Rousseff, que chegou à eleição de 2014 com cerca de 36% de avaliação positiva e venceu por margem apertada.
Aprovação costuma se transformar em voto
Os dados indicam ainda que a aprovação do governo tende a se refletir diretamente no comportamento do eleitor. Em diferentes eleições, grande parte dos eleitores que avaliavam positivamente o governo votaram no candidato governista.
Em 1998, por exemplo, 85% dos eleitores que aprovavam o governo de Fernando Henrique Cardoso votaram nele. Já em 2006, cerca de 90% dos que avaliavam o governo Lula como “ótimo” optaram por sua reeleição.
Mudanças bruscas são raras
Outro ponto destacado é que alterações significativas na popularidade costumam ser lentas, ocorrendo ao longo de meses. Entre os poucos episódios de mudanças rápidas citados estão:
- As manifestações de junho de 2013, que provocaram queda acelerada na aprovação do governo federal.
- A estabilização econômica após o Plano Real, em 1994.
- A repercussão gradual do escândalo do Mensalão, em 2005.
Previsões com antecedência
A análise conclui que a aprovação do governo pode permitir previsões eleitorais com cerca de um ano de antecedência. Os pesquisadores citam como exemplo:
- 1997: Fernando Henrique Cardoso tinha cerca de 43% de aprovação e venceu a eleição seguinte no primeiro turno.
- 2005: Lula registrava cerca de 31% e acabou reeleito em segundo turno.
- 2013: Dilma Rousseff tinha cerca de 36% e venceu em disputa apertada em 2014.
Síntese
De acordo com o estudo, a lógica geral é simples:
- Aprovação alta tende a garantir reeleição.
- Aprovação muito baixa indica grande risco de derrota.
- Níveis intermediários criam disputas imprevisíveis.
Os dados e análises fazem parte do livro “A Mão e a Luva: O Que Elege Um Presidente”, que reúne estudos sobre padrões eleitorais no Brasil desde 1989.
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