Tarifaço confirmado: governo acusa família Bolsonaro de colaborar com medida dos EUA

O governo brasileiro acusa família Bolsonaro de colaborar para tarifaço dos EUA sobre produtos brasileiros; decisão foi confirmada nesta quarta-feira (15/07).

Imagem criada pelo Diário da Notícia com IA 
O governo brasileiro reagiu com críticas à confirmação das novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros e atribuiu parte da responsabilidade pelo desfecho à atuação da família Bolsonaro. Em nota divulgada na madrugada desta quinta-feira (16/07), a Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom) afirmou que houve "ativa colaboração" dos Bolsonaro durante o processo que resultou na medida anunciada por Washington.

As novas tarifas, de 25%, começarão a valer no próximo dia 22 e foram confirmadas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), com base na Seção 301 da Lei de Comércio americana. Apesar da sobretaxa, o governo norte-americano ampliou a lista de produtos brasileiros isentos, que agora ultrapassa 2.100 itens.

Entre os produtos poupados da tarifa estão carne bovina, café, laranja, suco de laranja, mel orgânico, hidróxido de alumínio, sucata de ferro e aço, produtos do mar, couros, medicamentos, insumos farmacêuticos, petróleo, celulose e componentes destinados à fabricação de aeronaves. Em contrapartida, setores como vestuário, calçados e máquinas agrícolas e industriais não conseguiram a isenção.

Na mesma madrugada, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, publicou mensagem na rede social X criticando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo Rubio, o governo brasileiro não teria negociado "de boa-fé" e estaria colocando "o ego à frente do bem-estar do povo brasileiro".

Em resposta, a Secom classificou a decisão americana como um "marco lastimável" na história das relações entre Brasil e Estados Unidos. O governo também informou que dará início aos procedimentos previstos na Lei da Reciprocidade Econômica, instrumento que permite ao Brasil adotar medidas em resposta a barreiras comerciais impostas por outros países.

A investigação conduzida pelos Estados Unidos aponta supostas práticas brasileiras consideradas prejudiciais ao comércio americano, envolvendo temas como comércio digital, sistema de pagamentos eletrônicos (Pix), proteção à propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e questões ambientais.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo irá avaliar quais setores serão efetivamente afetados antes de definir novas medidas de apoio. Segundo ele, o objetivo é garantir que empresas e trabalhadores brasileiros não sejam prejudicados.

Especialistas avaliam que o impacto econômico desta nova rodada de tarifas tende a ser mais limitado do que o observado anteriormente, principalmente porque empresas exportadoras já vinham se preparando para esse cenário e parte das exportações brasileiras tem sido redirecionada para outros mercados, como a China. Além disso, os Estados Unidos representam cerca de 11% das exportações brasileiras, percentual considerado insuficiente para provocar um impacto significativo sobre a atividade econômica nacional.

O governo brasileiro mantém aberta a possibilidade de novas negociações diplomáticas, enquanto os Estados Unidos afirmam que a aplicação das tarifas não encerra o diálogo entre os dois países.

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