A equipe de reportagem do Diário da Notícia retornou ao local para verificar de perto a situação das famílias afetadas
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| Foto: Adriano Rivera/Diário da Notícia |
A equipe de reportagem do Diário da Notícia retornou ao local para verificar de perto a situação das famílias afetadas. Na casa de Dona Terezinha, que havia concedido entrevista no dia do incidente (veja aqui), o cenário continua sendo de destruição. Portões danificados, móveis espalhados e uma grande quantidade de entulho acumulado no fundo da residência mostram que, mesmo após uma semana, o local ainda não apresenta condições de moradia.
A moradora relata que pouca coisa mudou desde o dia da enchente.
“A situação está na mesma, meu irmão. Estamos esperando a bênção de Deus e ver o que vão fazer com a gente para que possamos voltar para casa. Aqui é de aluguel, não é minha casa, mas é onde a gente mora”, contou.
Atualmente, Dona Terezinha está abrigada na casa de familiares, juntamente com a mãe, que é cadeirante. Segundo ela, a situação exige um local adaptado, o que dificulta ainda mais a busca por uma nova moradia.
“Estou na casa da minha sobrinha e também na casa da minha irmã. Minha mãe é cadeirante e não pode ficar em qualquer lugar. Tem que ser uma casa onde ela possa se movimentar”, explicou.
Apesar de algumas famílias já estarem sendo contempladas com o auxílio de aluguel social, Dona Terezinha afirma que ainda não foi incluída no benefício. Segundo ela, representantes da prefeitura já estiveram no local e mencionaram a possibilidade do auxílio, mas até o momento nada foi definido.
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Além dos danos estruturais, os prejuízos materiais também foram grandes. A moradora conta que praticamente todos os móveis foram perdidos na enchente.
“Só consegui recuperar a geladeira, o fogão e o sofá. O resto acabou tudo. Eu tinha comprado móveis novos em dezembro: guarda-roupa, armário, balcão… foi tudo embora”, lamentou.
Alimentos e outros itens também foram levados pela água. No entanto, Dona Terezinha afirma que a solidariedade tem ajudado a enfrentar o momento difícil.
“Perdemos alimentos, mas graças a Deus as pessoas têm ajudado com cestas básicas. Estamos recebendo ajuda e conseguindo passar por essa situação”, disse.
Mesmo diante das perdas, ela destaca que o mais importante foi a preservação da vida.
“Eu não estou triste. Estou feliz porque ficamos com vida. Não morreu ninguém aqui. Só isso já é motivo para agradecer muito a Deus”, afirmou.
Sobre as causas da enxurrada, Dona Terezinha acredita que o problema não está relacionado ao descarte de lixo pela comunidade, como algumas pessoas têm sugerido. Segundo ela, a água trouxe grande quantidade de mato, madeira e pedras, possivelmente vindas de áreas de pastagem próximas ao riacho.
A moradora também lembra que, no passado, os proprietários de terras da região costumavam realizar a limpeza do leito do riacho, o que hoje não ocorre com a mesma frequência.
“Antes os donos dos pastos limpavam o corte do riacho. Hoje não limpam mais. Quando a água vem forte, ela arranca tudo pela frente e traz para cá”, explicou.
No fundo da residência ainda há grande quantidade de lixo e entulho trazidos pela enxurrada. A moradora afirma que aguarda a presença de equipes da prefeitura para realizar a retirada do material, pois teme que, caso outra chuva forte ocorra, a situação se repita.
Apesar da esperança por melhorias estruturais no local, Dona Terezinha confessa que tem receio de voltar a morar na área.
“Já é a terceira vez que acontece. Eu não estou com vontade de voltar para cá, não. Só se fizerem algo mais alto, mais seguro. Se não, fica difícil”, disse.
Enquanto aguardam respostas e soluções, moradores dos Três Riachos seguem enfrentando as consequências das chuvas, contando com a solidariedade da população e esperando medidas que garantam mais segurança para a comunidade. Informações do repórter Adriano Rivera, para o programa Diário da Notícia.
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