No texto, o líder religioso argumenta que a mudança não engrandece a Bíblia e defende a preservação da memória histórica da cidade.
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| Foto: Reprodução |
Segundo o pastor, a alteração vai além de uma simples mudança administrativa e envolve questões de identidade cultural, memória coletiva e coerência espiritual. Ele afirma que retirar o nome de Ubaldino de Assis representa apagar parte da história do município e diminuir uma homenagem já consolidada ao longo do tempo.
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O religioso também sustenta que a Bíblia não necessita de homenagens simbólicas para ter valor ou autoridade, ressaltando que a verdadeira reverência às Escrituras estaria na prática de seus ensinamentos e não em denominações de espaços públicos.
Outro ponto levantado no texto é a escolha do local para a homenagem. O pastor argumenta que a praça é historicamente conhecida como palco de festas populares e eventos marcados por práticas que, segundo ele, se afastam dos princípios bíblicos.
Ao final, Gevaldo Simões afirma que uma cidade madura é aquela que preserva sua história e que a maior homenagem à Bíblia seria viver seus ensinamentos na prática cotidiana.
Leia o texto completo:
Apagar o nome de Ubaldino de Assis não engrandece a Bíblia
A decisão da Câmara de Vereadores de Cachoeira de alterar o nome da tradicional Praça Ubaldino de Assis para “Praça da Bíblia” merece uma reflexão mais profunda por parte da sociedade cachoeirana. Não se trata apenas de uma mudança administrativa ou simbólica, mas de uma questão que envolve memória histórica, coerência espiritual e respeito aos verdadeiros valores que a própria Bíblia ensina.
Os nomes dos espaços públicos representam a identidade e a memória coletiva de um povo. Retirar o nome de Ubaldino de Assis significa apagar parte da história da cidade e diminuir a homenagem prestada a alguém que, por reconhecimento público, teve seu nome eternizado naquele espaço. Uma sociedade que não preserva sua memória corre o risco de perder também sua identidade cultural e histórica.
Ao mesmo tempo, é necessário afirmar com clareza: a Bíblia Sagrada não precisa desse tipo de homenagem humana para ter valor ou autoridade. A Palavra de Deus é eterna, soberana e não depende de placas, monumentos ou denominações públicas para ser honrada. As próprias Escrituras ensinam que a verdadeira reverência à Palavra não está em discursos simbólicos, mas na prática sincera de seus ensinamentos. O salmista declara: “Guardei no coração a tua palavra para não pecar contra ti.” Salmos 119:11
A Bíblia ensina que o lugar correto da Palavra de Deus não é apenas em espaços públicos, mas principalmente, no coração humano. Jesus Cristo também reforçou essa verdade ao afirmar: “Bem-aventurados os que ouvem a palavra de Deus e a guardam.” Lucas 11:28. Portanto, honrar a Bíblia vai muito além de atribuir seu nome a uma praça. Honra-se a Palavra de Deus quando há justiça, amor ao próximo, honestidade, compaixão e temor a Deus nas atitudes diárias da sociedade e dos seus representantes.
Há ainda uma contradição evidente na escolha do local para essa homenagem. A praça em questão é conhecida historicamente como palco das principais festas populares e profanas da cidade, eventos marcados por excessos, consumo de álcool e práticas que frequentemente se afastam dos princípios bíblicos. A própria Escritura adverte: “Este povo me honra com os lábios, mas o seu coração está longe de mim.” Mateus 15:8. Isso leva inevitavelmente à pergunta: qual o verdadeiro sentido espiritual de dar o nome “Praça da Bíblia” a um espaço cuja finalidade principal não reflete os valores ensinados pelas Escrituras? A Palavra de Deus nunca precisou de marketing religioso nem de gestos políticos para manter sua relevância. O profeta Isaías afirma: “Seca-se a erva, e cai a flor, porém a palavra de nosso Deus subsiste eternamente.” Isaías 40:8. A Bíblia permanece viva pela transformação que produz nas pessoas, e não pelo nome estampado em prédios ou praças públicas.
Além disso, a própria Escritura orienta sobre a importância da honra e da memória: “Dai honra a quem tem honra.” Romanos 13:7. Apagar o nome de Ubaldino de Assis não engrandece a Bíblia, pelo contrário, cria-se um conflito desnecessário entre a preservação da memória histórica e um simbolismo religioso que poderia ser manifestado de forma mais coerente e edificante.
Uma cidade madura é aquela que preserva sua história. Um povo verdadeiramente cristão é aquele que vive a Palavra de Deus na prática, e não apenas em homenagens formais. A Bíblia merece ser exaltada, sim — mas através da transformação de vidas, da justiça, da verdade e do amor ao próximo. Afinal, como ensina o apóstolo Tiago: “E sede cumpridores da palavra, e não somente ouvintes.” Tiago 1:22
Talvez essa seja a reflexão mais importante para Cachoeira neste momento: a verdadeira homenagem à Bíblia não está no nome de uma praça, mas na maneira como a sociedade escolhe viver os princípios que ela ensina.
Rev. Gevaldo Simões Santos Sobrinho - Pastor da Igreja Presbiteriana de Cachoeira
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