Moradores cobram soluções para alagamentos na Rua da Feira durante reunião com prefeita de Cachoeira

Durante o encontro, moradores relataram perdas materiais e o sofrimento enfrentado após as enchentes

Foto: Adriano Rivera/Diário da Notícia 
Moradores da comunidade conhecida como Rua da Feira, na cidade de Cachoeira, participaram de uma reunião marcada por cobranças, relatos emocionados e explicações da gestão municipal sobre os recorrentes alagamentos que atingem a região durante períodos de chuva.

Durante o encontro, moradores relataram perdas materiais e o sofrimento enfrentado após as enchentes. Segundo eles, muitas famílias tiveram casas invadidas pela água e perderam móveis, eletrodomésticos e objetos pessoais.

“Quando essa água vem, acaba com tudo. Eu não tenho mais guarda-roupa, não tenho mais fogão, não tenho mais colchão para dormir. A gente perdeu praticamente tudo”, relatou uma moradora, afirmando que muitas famílias estão desempregadas e sem condições financeiras para reconstruir o que foi perdido.

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Os moradores também reclamaram que a ajuda emergencial oferecida, como cesta básica, sopa e kits de limpeza, não resolve o problema estrutural da comunidade. “Isso não devolve a dignidade da gente. O que queremos é solução”, afirmou outro participante.

Ouça a reunião entre a prefeita Eliana e os manifestantes da Rua da Feira:

Além das perdas materiais, parte da população criticou a ausência de autoridades na comunidade logo após a enchente. Segundo alguns relatos, moradores sentiram falta de uma presença mais próxima da gestão municipal no local.

Apesar das críticas, representantes da comunidade destacaram que a manifestação teve caráter pacífico e que o objetivo principal é encontrar soluções para evitar novas tragédias. “Não estamos aqui para desrespeitar ninguém. A prefeita é autoridade e precisa ser respeitada. Nós só queremos melhorias e segurança para nossa comunidade”, disse um morador.

Prefeita explica ações e limitações

Durante a reunião, a prefeita de Cachoeira, Eliana Gonzaga, afirmou que a gestão municipal tem buscado alternativas para minimizar os impactos das chuvas e destacou que o problema não é recente.

Segundo a gestora, o município realiza periodicamente a limpeza dos canais e áreas de drenagem na região, mas fatores como construções irregulares sobre cursos d’água e o descarte de lixo nos canais acabam agravando a situação.

“A gente faz limpeza periódica nos canais, mas quando se constrói em cima de passagem natural da água ou se joga objetos como colchões, fogões e sofás nos canais, isso impede a vazão e aumenta o risco de alagamentos”, explicou.

A prefeita também destacou que a força das chuvas foi intensa e atingiu diversos municípios, mas ressaltou que, apesar dos prejuízos materiais, não houve perda de vidas em Cachoeira.

Obras e projetos em andamento

De acordo com a prefeita, a solução definitiva para o problema exige uma obra de macro-drenagem, considerada de alto custo e que depende de apoio do governo estadual e federal.

A gestora informou que já existem pedidos protocolados para viabilizar o projeto e que a prefeitura busca apoio junto ao governo da Bahia e à União.

Enquanto a obra estrutural não acontece, a prefeitura pretende adotar medidas emergenciais, como:

  • Construção de tanques amortizadores para reduzir a força da água durante as chuvas;
  • Continuação da remoção de lajes construídas sobre canais;

  • Implantação de guarda-corpos de proteção nas áreas próximas aos canais;
  • Contratação de empresa para execução das intervenções emergenciais.

A prefeita também afirmou que uma reunião já estava marcada com a Superintendência de Proteção e Defesa Civil da Bahia para discutir soluções estruturais para a comunidade.

Comissão de moradores deve acompanhar reunião

Como encaminhamento do encontro, foi sugerida a criação de uma comissão com representantes da comunidade para acompanhar as discussões junto ao governo estadual.

A proposta inclui levar moradores para participar da reunião com técnicos e autoridades, afim de garantir transparência e acompanhamento das medidas anunciadas.

Mesmo com o clima de tensão em alguns momentos, o encontro terminou com o compromisso de diálogo entre comunidade e gestão municipal.

Para os moradores, no entanto, o principal objetivo agora é ver as soluções saírem do papel. “A gente só quer ver o problema resolvido. Não queremos viver com medo toda vez que a chuva chegar”, concluiu um dos representantes da comunidade. Informações do repórter Adriano Rivera do Diário da Notícia.

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